Diálogo com telemarketing ativo

Um relato de uma conversa que me livrou de uma longa história de vários dias sendo importunado.

[Atenção! Não consigo escrever o nível de gerundismo que é usado nesses telefonemas. Por isso não estranhem o diálogo, não devo utilizar gerúndio em demasia.]

O diálogo se deu fazem, por volta de, 30 meses. Foi entre eu e uma vendedora. Estavam me ligando de duas a três vezes por semana oferecendo a promoção de três meses grátis do um famoso diário do Rio de Janeiro. Diário esse, de uma grande empresa do ramo de comunicação.


O telefone toca e eu atendo:

Eu: Alô!

Vendedora: Boa noite. Gostaria de falar com o Senhor Flávio.

Eu: Sou eu mesmo, quem deseja.

Vendedora: Aqui é a Carina (nome inventado agora) do Jornal XYZ. Meu contato se deve a uma oferta de três meses grátis do jornal. O senhor receberá diariamente o jornal XYZ na comodidade do seu lar por três meses inteiramente grátis.
O senhor está interessado na promoção?

Eu: Posso estar, me informe mais.

Vendedora: Vamos confirmar alguns dados para a sua promoção.

Eu: Pois não.

Vendedora: Seu nome completo é <disse meu nome completo>?

Eu: Sim.

Vendedora: O senhor reside na <disse meu endereço completo, inclusive com o CEP e o ponto de referência que eu sempre informo>.

Eu: Sim.

Vendedora: A entrega será mesmo no seu endereço de residência ou prefere outro endereço?

Eu: Pode ser em minha residência mesmo, está bom.

Vendedora: Ótimo. Para finalizar, preciso dos dados do seu cartão de crédito e fecharemos sua assinatura com três meses grátis do jornal XYZ.

Eu: Espere um momento. Você me ligou para oferecer três meses grátis do jornal XYZ, correto?

Vendedora: Sim, correto.

Eu: Qual o motivo de eu ter que passar informação de meu cartão de crédito?

Vendedora: Para podermos concluir o cadastro de sua assinatura com três meses grátis do jornal XYZ.

Eu: Pelo que eu entendi do início da ligação, você não me ofereceu uma Assinatura do jornal XYZ com três meses grátis. O que você me ofereceu foram três meses grátis do jornal XYZ.

Vendedora: Sim, três meses grátis do jornal XYZ.

Eu: Então qual o motivo de eu precisar de informa um cartão de crédito?

Vendedora: Para podermos completar o cadastro de sua Assinatura com três meses grátis do Jornal XYZ.

Passaram algumas interações repetidas desse diálogo insano para tentar explicar a diferença entre a oferta inicial “três meses grátis do jornal XYZ” e “assinatura do jornal XYZ com três meses grátis”.

Eu: Você me ofereceu três meses grátis do jornal XYZ. Tem meu nome completo, meu telefone — ligou para mim — e meu endereço residencial que poder ser utilizado para a entrega do jornal diariamente, por três meses, como ofertado no início da conversa. Eu aceito a promoção, pode começar a entrega o quanto antes, ficarei feliz em receber o jornal.

Vendedora: Então preciso do seu cartão de crédito para terminar o cadastro da sua assinatura.

Eu: Vamos novamente. Eu aceito a promoção ofertada, mas não irei realizar assinatura do jornal. Se querem me contemplar com três meses grátis é uma prerrogativa da empresa, mas condicionar isso a eu realizar uma assinatura não me interessa.

Vendedora (ainda insistindo): Mas o senhor não deseja a promoção?

Eu: Sinto muito, mas se para receber três meses que vocês estão dizendo me dar eu preciso realizar uma assinatura que posso não conseguir cancelar ao final dos três meses. Lamento, mas não estou interessado.

Vendedora: Mas…

Eu: Vocês tem meus dados, podem, se desejarem, iniciar a entrega dos três meses a qualquer momento. Eu receberei a oferta e lerei o jornal. Gostando, posso pensar em realizar uma assinatura para continuar recebendo, mas não realizarei a assinatura para ter acesso a oferta. Se é só isso que tem a me oferecer, podemos terminar essa conversa. Muito obrigado pela sua paciência em tentar explicar como a oferta funciona (fui irônico). Muito boa noite para você Carina.

Vendedora: Boa noite senhor.

Ligação encerrada.


Depois dessa longa conversa, deve ter durado 40 minutos (eu estava sem nada para fazer), nunca mais ninguém do Jornal XYZ me telefonou para oferecer nada.

Se voltarem a telefonar, agirei da mesma forma.

Querem dar jornal, podem dar, arrumarei serventia para o papel. Mas me enrolar para vender uma assinatura é um pouco demais.