28/08/2018

As vezes eu me sinto como uma criança que saiu na rua pela primeira vez sem a mãe e não sabe nem pra qual lado da rua tem que olhar, periga até ser atropelada por falta de informação, mas ao mesmo tempo me sinto como uma mulher que sabe onde quer chegar e pode e deve tomar decisões; me sinto como no primeiro dia de aula quando queria esconder minha cara com medo de que existisse algo de errado comigo e ao mesmo mesmo me sinto como se pudesse ser de qualquer forma, que nenhum olhar maldoso ou tortuoso fosse capaz de me desviar do meu foco. As vezes me parece que era mais certo ser mais moça, mais dedicada ao lar, a família que eu devo criar… E não que isso não seja um plano, mas eu torço muito pra que nesse plano eu consiga fazer de verdade uma das únicas coisas que faz meu coração arder. Eu tenho medo de viver só existindo e sendo rasa, mas eu também tenho medo de querer ser intensa e funda demais e acabar ficando sozinha no meu próprio abismo. Não acho que eu seja diferente de ninguém, só acho que se existir alguém que chora pra dentro, como se o buraco negro existisse e residisse dentro de si, essa pessoa devia se apresentar pra eu saber que eu não sou a única a sentir de forma demasiada e até desesperada; transformando qualquer chuvinha, qualquer lágrima em ondas fortes e perigosas que depois nem eu mesma sei controlar… E o pior de tudo isso é que eu nem sei nadar.

