depois das 18h

chegou em casa, porta destrancada. a certeza do que aquilo significava não impedia o nervosismo de brotar no estômago. chegara cansado de mais um dia de trabalho. o trabalho, sim, era imprevisível, e ele adorava toda aquela tensão. em casa, a absoluta certeza do previsível era seu tesão. parou. fechou os olhos e deixou a fumaça dominar o olfato. ela já o fizera antes, no trânsito, mas agora era diferente — agora, tudo era diferente. café, cigarro e lasanha de microondas. banho tomado. quando chegava, punha uma água pra ferver sobre o fogão e outra sobre a pele. preto, o café era passado. presente ela lhe dava todos os dias. futuro era o agora. pisou macio sobre seus pedaços espalhados no chão. à sua frente, ela nua, vestida de cachos e tintas. a porta destrancada. entrou.

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