poesia e silêncio

Não posso fazer uma poesia sobre o silêncio.

Nem sobre o amor. Ou o celestial da lua. Ou o prisma do raio da manhã. Ou a genética de deus.

Não posso.

Posso talvez falar da dança das deusas anciãs. Do meu silêncio murmurado, quando uma canção é canal do meu coração e os dois conversam, tão livres. Posso falar de minhas emoções lunares, do raio de sol que tão ousado me despenteia os cabelos e o ser.

Porque a poesia não fala sobre, não disserta.

Ela pode é brincar de ritmos.

Rondar o silêncio.

Talvez ela possa até brincar com suas verdades. E com sorte o silêncio com sua ousada inteireza te espante por um mínimo instante de pacífico sobressalto.

E depois você volta.

Porque poesia não é ponto de chegada. Amor, silêncio, verdade talvez sejam.

Mas poesia é apenas a beleza do caminho. O naturalizar do caminho com todas as suas dualidades.

Poesia não julga. Não discerne assuntos, objetos. Não discrimina bom ou mau.

Tudo é caminho. E a poesia é sua brincadeira.

Poesia não é silêncio.

Porque de palavra ela é feita.

E do sumo da vida que preenche toda a linguagem: nós mesmos.

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