No dia 03/02/2014, vimos a seguinte matéria ser publicada no jornal Folha de São Paulo: “Escolas de todo país vão exigir 60% de presença na pré-escola”. De acordo com as informações veiculadas, uma nova lei federal exigirá 60% de presença dessas crianças durante o ano letivo, válido para as idades de 04 à 05 anos da rede particular e pública. E tem mais: Até 2016 todos a partir dos 04 anos deverão ser matriculados na educação infantil.
Conversaremos sobre as questões políticas e econômicas dessa decisão ao longo de nossos papos por aqui, porque neste momento o que quero enfatizar é outra questão:
A escolarização da Educação Infantil, o que é e no que implica.
O grande problema que venho debater com vocês hoje, Pais que Educam, é o fato de que o Brasil ainda não elaborou um modelo de educação infantil que seja plenamente satisfatório e compatível com as necessidades de desenvolvimento de nossos filhos. Algumas escolas e iniciativas estão no caminho certo, enquanto outras seguem uma tendência pouco propícia à fase em que as crianças se encontram.
Cada vez mais é possível encontrar: Carteiras enfileiradas, apostilas com tópicos diários, trabalhos escritos, silêncio na sala, pequenos intervalos para brincadeira e etc. Tentarão te convencer de que seu filho está sendo, dessa forma, melhor preparado para a sociedade, para um mercado de trabalho competitivo, para uma posição de liderança, mas não se iludam! Esse é um discurso comercial que tem pouca relação com o bom desenvolvimento do seu filho.
É esse processo, de copiar o Ensino Fundamental para a Educação Infantil, que chamamos de Escolarização. O que a criança precisa, no entanto, é completamente diferente disso.
O que é melhor para o desenvolvimento do seu filho?
Até os 06 anos, pelo menos, priorize a brincadeira e o acesso à cultura! Eu, como pedagoga, li indignada outras colegas de profissão defenderem o ensino escolarizado para os pequenos, dizendo que as crianças precisavam de mais responsabilidade e rotina.
Rotina e modelos escolarizados são coisas diferentes, e responsabilidades também são relativas. Se por responsabilidade entendemos tarefas de casa, trabalhos, obrigar os pequenos a permanecerem sentados e quietos, então eu discordo completamente de que seja disso que seu, meu, nossos filhos precisem!
Crianças precisam brincar! O brincar é um fazer fundamental: é através dele que as crianças aprendem a se relacionar, a se apropriar de regras de convivência, a elaborar o que sentem, a entenderem o que estão vivendo e o que está acontecendo a sua volta (em seu ambiente familiar e sociedade). É através dessas “atividades despretensiosas” que a criança se estrutura psicologicamente. O imaginário, o faz de conta, são essenciais para a fase.
Eles precisam de um espaço que seja aconchegante, professores que sejam afetivos e bem preparados, livros ao alcance, lápis de cor, giz de cera, massinha, brinquedos, espaços coloridos, espaços vivos, plantas, dança, música, muito brincar e por aí vai.
A Pedagogia já se questiona, há muito, se o modelo de escolarização vigente é próprio até aos mais velhos. Você poderá pensar: Mas eu me formei assim, e deu certo! — ótimo, mas e se pudesse ter sido melhor? E se a Escola não tivesse sido obrigatória, você teria ido? E se você não precisasse ter sentido tédio e desânimo, como provavelmente sentiu, várias vezes antes de ir pra aula? E se as atividades e tarefas pra casa não tivessem sido desgastantes?
Portanto, pais que educam, não se apressem e tentem não encher seus filhos de expectativas e cobranças, ainda mais tão cedo. Enchê-los de tarefas, alfabetizá-los super cedo, preencher o dia deles com responsabilidades está longe de implicar em sucesso. Eles precisam ter construído autoconfiança, alegria, disposição de pensar novas alternativas, novas possibilidades, serem capazes de discernir, de não serem enganados, de lutarem pelo seu espaço e direito, isso sim é fundamental.
E eu pergunto, como seu filho tem sido educado? Como você tem vivido isso? Você e ele estão satisfeitos?
Este é um dos textos do blog Pais que Educam, destinado a todos os papais e mamães que querem aprimorar sua participação no desenvolvimento de seus filhos. Para acompanhar todas as dicas e tirar suas dúvidas, acesse o site e nos acompanhe no Twitter e Facebook
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