Que relação você está construindo com seu filho? Como essas férias podem te ajudar

Julho é sinônimo de férias para os nossos filhos. A não ser é claro que haja uma recuperação escolar aí no meio, o mês promete muitas atividades com as crianças, muitas risadas, muitos filmes infantis e, para alguns, muita paciência.

São quase 30 dias em que muitos pais e filhos tomam dois caminhos diferentes. Das duas uma: ou se unem e aproveitam o tempo com mais qualidade e quantidade, ou fogem um do outro como se não quisessem estar condenados a tanta presença. Parece muito desagradável o que eu disse, eu sei, mas é muito comum. E não se sinta julgado se você é um dos pais que foge do convívio, ou se seu filho é um dos filhos que escapa que nem quiabo de estar presente.

Antes de qualquer coisa é preciso pensar o quanto as partes estão confortáveis com a situação. Aqui só não vale pensar que o “convívio é tão conturbado” que é melhor se manter distante. O que vale é o tipo de relação que está sendo construída.

Eu não tenho dúvida de que quando você planejou mentalmente a sua história com seu filho, não estava nos seus planos os choros frequentes, birras, afrontas, desentendimentos e nem nenhum desses vilões que parecem surgir no caminho de nossas relações.

Mas o que eu vim conversar com você é justamente isso.

Não fuja do contato, da conexão

Normalmente nossos planos mentais sobre nossos filhos não dão conta da humanidade deles. Você aí que jura que não tem birras, nem crises de choro e nem afrontas deve se lembrar de que já as teve e provavelmente ainda as tem de alguma forma. De outras maneiras nós — adultos — também temos lá nossas birras, nós também temos vontade de chorar e arrancar os cabelos de vez em quando. Se você teve uma boa infância, e eu realmente espero que tenha tido, você provavelmente lida bem com isso, usando esses sentimentos para entender você mesmo e agir de forma positiva.

Se você é como eu, você ainda comete seus deslizes e dá um grito no travesseiro vez ou outra para extravasar. Pois bem, o que nos faz pensar — e esperar — que nossos filhos serão tão diferentes do que nós fomos e somos?

A situação de nossas crianças é ainda mais complicada quando pensamos que eles ainda não sabem entender muita coisa que acontece com eles. Imagine o que é sentir fome e não saber exatamente o que é aquilo que estamos sentindo, nem como resolver e nem como manifestar? É isso que as crises de choro e birra do seu filho estão tentando comunicar. O que ele não sabe, o que ele não entende nele mesmo, a frustração que dói, o medo e a insegurança.

E normalmente o que fazemos quando eles se manifestam? Saímos do nosso controle, caímos na nossa vergonha — porque tem pessoas que acham que seus filhos não farão isso nunca, ou que choro é sinônimo de falta de limites — no nosso desgaste e na nossa sensação de impotência. Tudo isso se une e, uma situação simples, vira rapidinho 3 rounds de uma batalha que pode terminar com mais choro e suor.

Imagine que você pudesse congelar o momento em que seu filho “testa” seus nervos. Tente observar com calma. Agora olhe bem nos olhos dele. O que eles refletem? Um pedido de auxílio, de limite? É medo?. Olhe agora nos seus, sem medo do que você pode encontrar. Raiva? Desamparo? É — sem culpa — impaciência?

Bem vindo ao seu lado mais humano. Esse que se mostra na relação com o outro e que se escancara em nós na relação com nossos filhos. Agora não pense em como agiu, não importa. Todo verbo no passado já aconteceu. Como você quer agir a partir de hoje? Que relação você quer construir com seu filho?

Fugir é a saída mais fácil. As milhões de atividades que nos distraem de nós mesmos, de nossos filhos e nossas vidas são muitas. Mas nossa saúde mental e nosso bom convívio clamam pela presença, pela união e aprendizado no conflito.

Nessas férias, escolha ser presente, se abrir pra sua humanidade e pra do seu filho sem medo de se entregar. E pra você não se sentir desamparado, logo te escrevo com ideias que podem te amparar nessa escolha.

Abraço apertado.

Este é um dos textos do blog Pais que Educam, destinado a todos os papais e mamães que querem aprimorar sua participação no desenvolvimento de seus filhos. Para acompanhar todas as dicas e tirar suas dúvidas, acesse o site e nos acompanhe no Twitter e Facebook

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