Hoje se fez a morte da democracia

por Bruna Stéphane

Hoje se fez a morte da democracia
Tornou-se concreta a vergonha do povo
Que entende a si mesmo como mercadoria
Se rende sem luta, se vende por pouco.

Hoje meu peito adormece com fúria
Com asco de um povo sem lutas
Movido por anseios vazios e injúria
Como a maior das prostitutas

Hoje uma velha pergunta me confronta:
Haverá justiça algum dia?
Ou será sempre o que se conta,
A eterna morte da democracia?

Hoje entoo um grito de guerra: 
Impunidade não é vitória.
Meu peito, com força berra:
Não se pode matar a memória!

Hoje eu só ouço o pranto mudo
De um povo que sangra e não deixa a luta
E guarda no peito o desejo profundo
De um dia colher os louros da labuta.