Papa da Semana #7: Urbano VIII

Papa de 1623 até 1644

Maffeo Barberini nasceu em 1568, foi educado como um jesuíta e começou sua carreira clerical graças a influência de seu tio Francesco, o que lhe garantiu a posição de representante de Clemente VIII na corte francesa. Depois ele se tornou arcebispo de Nazaré e, já no papado de Paulo V, em 1606, foi nomeado cardeal e, novamente, representante papal, agora na cidade de Bolonha. Foi então que ele conheceu Galileu Galilei e seu folheto “Sidereus Nuncius”, onde o polímata defendia a ideia de heliocentrismo de Nicolau Copérnico. A obra levou Galileu a ser condenado pelo tribunal inquisidor em 1616, que o proibiu de defender ideias heliocêntricas, consideradas heréticas. Mas não sem muitos protestos do cardeal Barberini, que havia se tornado muito amigo do astrônomo e se opôs a decisão da Igreja.

Sete anos mais tarde, com a morte do papa Gregório XV, Barberini conseguiu superar as diferenças das quatro facções de cardeais da época e, depois de 18 dias de conclave, foi eleito papa em 1623. Escolheu o nome Urbano VIII e iniciou um papado considerado agitado mesmo para os padrões da Igreja Católica do século XVII. Vinte e um anos da Guerra dos 30 Anos aconteceram durante seu reinado. O conflito religioso mais mortífero da história deixou 8 milhões de mortos, descentralizou ainda mais o Sacro Império Romano Germânico, um dos principais apoiadores do papado, que causara o conflito ao tentar impor o catolicismo em todo seu território, além de fortalecer a prática do protestantismo. Apesar desse impacto, Urbano VIII foi um mero observador do conflito, concentrado seu poder militar em expandir os Estados Papais. Ele conquistou os Ducados de Urbino e Castro e foi o último papa a ampliar o território do pontificado.

Mas seu militarismo, somado a um investimento descomunal em arte, lhe custaram caro: com as finanças de Roma em frangalhos, Urbano VIII passou a ser odiado por seus súditos. Foi o auge de uma desmoralização que já havia começado um pouco antes. Como ele era papa, seu amigo Galileu pode publicar o livro “Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo” com autorização do Vaticano, em 1632. Urbano VIII só tinha um pedido: queria que Galileu incluísse na obra os argumentos da Igreja contra a ideia de que a Terra girava em torno do Sol. O astrônomo fez isso na forma do personagem Simplício, que é ridicularizado pelos outros personagens do livro por se opor ao heliocentrismo. Apesar da maioria dos historiadores considerar que Galileu não fez isso de propósito, Urbano VIII não gostou do resultado e chamou o agora ex-amigo para se defender diante do inquisidor Vincenzo Maculani. O astrônomo foi condenado a prisão domiciliar e “Diálogo…” foi banido. Galileu morreu em 1642 e entrou para a história. Urbano VIII faleceu dois anos depois, uma multidão de romanos enfurecidos quebrou os bustos que ele havia construído com seus impostos e não houveram mais Urbanos no Vaticano.

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