Corporativismo numérico

Qual o custo do valor humano e quanto ele representa de lucro?

Sabemos que desde a revolução industrial as empresas visam maximizar seus lucros. Usei a palavra “visam” não por acaso, pois quem possui visão de algo é detentor de um plano maior, estratégico. Empresas que visam maximizar seus lucros são empresas que se vêem voltadas aos resultados não importa qual seja as condições. Ora, se visam maximizar os lucros, quer dizer que tudo que não seja lucro não faz parte do plano maior, não estando nesse plano, como fica o propósito humano?

Tenho notado recentemente nas empresas uma postura cada vez mais inclinada em se posicionar como sendo algo “humanizado”. Afinal, sabe se que nós humanos nos afeiçoamos com tudo que possui um sentido humano. Gostamos dos animais que pedem por “carinho”, dos cães que andam como humanos, e até nos emocionamos com expressões de outros humanos ou até mesmo de primatas. Dessa forma, empresas se vestem como humanas para poder dizer que são descoladas, sustentáveis, éticas, compreensivas, bacanas, legais, gentis, e etc. Se apoderam dos adjetivos humanos para poderem se passar por humanas de forma que assim, possamos nos sentir “afetados” por ela.

Contudo, por mais que as empresas tentem, elas nunca serão naturais. Ser humano não é ser empresa. Empresas são empíricas e voltadas à resultados. E, infelizmente o racional humano não faz parte da visão de qualquer empresa que seja. Por mais que essas vejam “lucros” em sustentar o lado humano, em algum momento o “custo” humano pode afetar suas estratégias. Assim, o “valor” humano para as empresas se mostra como sempre se mostrou: intangível e “subjetivo” — do humano- à situação financeira das empresas.

No mundo corporativo, não basta querer ser humano, não basta projetar lucro em discursos humanos, não basta cortar custos humano sem que antes de qualquer coisa se entenda o real valor humano.

Só humanos entendem humanos. Por isso imitamos.

O resto é número. E, empírico.

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