Entenda a porra toda no Oriente Médio

Como explicar para seus amigos em uma mesa de bar o que rola no oriente médio. Legal hein !

Antes de entender a treta toda no oriente médio atual, é necessário entender o que rolou por lá no passado, e assim, entender por que há tanta rivalidade e disputa em um único lugar.

Início da porra toda

A porra toda começa quando uma tribo resolve seguir um único Deus. Hoje parece normal, mas naquela época isso foi uma mudança e tanto na maneira de se pensar. Essa postura é extremamente inovadora para época (~5000 ac), já que a grande maioria das religiões da época possuíam dentre suas doutrinas diversos Deus (Hindu, Egípcia, Grega e etc). Esse tipo de adoração onipotente, único, onipresente causa uma quebra nos paradigmas religiosos, e diante dessa proximidade com um Deus único, e de sua exclusividade surgem as primeiras tribos de religião Judaica no mundo. Esses caras eram vistos como “estranhos” e “pouco criativos” por adorarem um único Deus.

Nesse período da história, Abraão, o patrono da religião Judaica tem dois filhos: Ismael e Isaac (guardem esses nomes). A história conta que por Ismael ser filho de uma escrava, este é expulso da tribo pelo pai, Abraão, e junto de sua mãe se exilam em algum outro canto do mundo.

Pois bem, esse povo vive a perambular pelo Oriente médio e África até próximo do ano de ~1900 ac; não fazem nada demais, não inventam nada, apenas alguma expansão aqui, um sexo acolá, umas brigas aqui, uns castigos acolá, rodam tanto até acabam como escravos no Egito. Inicialmente a ida ao Egito é vista como salvação, pois José, filho de Jacó, filho de Isaac, aquele que é filho de Abraão é tido como um grande governante do faraó, e visto como o salvador da pátria para o povo Judeu que passava por grande dificuldade.

A escravidão do povo Judeu dura 400 anos e próximo do ano de 1500 ac, liderados por Moisés, conseguem sua libertação das mãos dos egípcios, e passam mais 40 anos em busca da terra prometida, perambulando no deserto até que a encontram, onde é hoje o país Israel.

Quando o povo Hebreu (Povo Judeu de Moisés) se instala na região, seus inimigos eram outros, como por exemplo os Filisteus (povo mais feio do mundo) e os Persas (onde é o Irã hoje); muitas guerras foram travadas entre esses povos. Com o passar dos anos Israel passa de mãos em mãos, sendo sempre colonizado por outras nações (Pérsia, Babilônia, Filisteia, Síria e etc) até que aproximadamente em 600 ac cai nas mãos dos Romanos. Ai a coisa pega.

Jesus, que era Judeu, nasce e inicia-se o calendário cristão, vive por cerca de 30 anos e é morto como: Salvador pelos cristãos e Mentiroso pelos Judeus que habitavam Israel colonizada pelo Romanos.

Com a morte de Jesus é fundada a religião Cristã, e uma peregrinação pelo oriente médio e costa da Europa (Roma e Grécia) é iniciada por Tito, Paulo e Pedro. Esses caras passam por vários cantos pregando o cristianismo, desde a Pérsia até a Grécia e Roma. Enquanto falavam eram perseguidos pelos Romanos e Judeus, muitos morreram por ser Cristão nessa época. Próximo do ano de 60 dc os primeiros evangelhos são escritos e a religião Cristã é difundida por Roma, Grécia, Egito e Pérsia.

No ano de ~380 dc o império Romano adota a religião Cristã como sendo sua religião oficial e a caçada aos cristãos se torna branda. Em torno de 395 dc por considerar Jerusalém (Capital de Israel, então província de Judá) como terra santa, a jurisdição de Israel passa as mãos da Palestina. Essa ação visa diminuir a dominância dos Judeus na área, com o tempo Israel some do mapa de vez, forçando seu povo a se distribuir pelo mundo. Graças a essa ação, que surte efeito, hoje esses dois estados vivem em conflito.

Em ~600 dc, com cristianismo em ascensão e já tendo os Judeus bem esparsos, surge no oriente médio a religião Islâmica. Muito fundamentada nos ensinamentos Judeus, Maomé, que seria descendente do primeiro filho de Abraão, Ismael, filho de Abraão, aquele lá de cima, consegue unir em uma única Religião ensinamentos Judeus e Cristãos, seguindo as leis Judaicas e reconhecendo Jesus Cristo como o último profeta. Com o tempo a religião se expande e passa a se contrastar com os Judeus da época. Algumas tretas rolaram nessa época entre as 3 religiões, mas a religião a predominar o Oriente Médio é a Islâmica.

A Expansão Islâmica

Com a morte de Maomé, surge o embrião do que seria o Império Árabe que dominará todo o oriente médio e parte da Europa (Espanha principalmente). Assim como todo Império, será um império de intrigas e conspirações. Os descentes diretos de Maomé conclamam o poder, com o tempo o império se expande pela Síria e Pérsia (Irã), se torna grande e logo em seguida vem a rachar. Um sistema de Sultanato é inciado, e com ele vem a diversificação do poder. Nesse momento o Islamismo sofre, e também se divide em Xiita e Sunita (Guardem esses nomes). Sunita são os mais ortodoxos, da primeira linhagem do Império (Região das Arabias), já os Xiitas são em sua grande maioria os recém conquistados (Pérsia e Síria), visto como mais flexíveis. Mesmo diante da divisão religiosa e da segregação das lideranças o Império Árabe continua sua expansão.

Enquanto o império árabe dos islâmicos se expande pelo oriente, o Império romano dos cristãos luta contra ataques bárbaros e conspirações Internas, e os Judeus fogem, pois agora eles são os perseguidos da vez. Já no século V o império romano perde força e passa a se desintegrar, já o império Árabe vive o seu apogeu com a conquista da Europa.

No inicio do século seguinte o império romano já se encontra desintegrado, sua parte ocidental é diluída em varias cidades-estado (Roma, Paris, Wessex, Mercia e etc) que com o passar dos anos vão foder uma com a outra e passarão a tomar forma de nação, e em seguida países (e serem invadidas por Vikings no século VIII), é fundada a Igreja católica Romana, dos latinos; sua parte oriental segue como uma fortaleza e passa a se chamar Império Bizantino (Onde é a Turquia hoje), e da mesma forma é fundada a Igreja Católica Ortodoxa, dos Bizantinos. As guerras entre o império árabe e o império bizantino terão um espaço reservado na história.

Acho prudente colocarmos aqui um marco em nossa história, pois perceba que alguns fatos acabam por bagunçar a porra toda:

Pelo Oriente, Império Árabe, dos islâmicos, se expande e chega às margens de Constantinopla, capital do império Bizantino, uma fortaleza, dos Cristãos. Do lado ocidental, na Europa, também de predominância Cristã se organizam e defendem suas posições contra incursões Vikings e conflitos entre cidades. E os Judeus fugindo…

Cruzadas

No inicio do século VIII, o império Árabe chega à Europa pela península Ibérica (Espanha). No inicio do século X, guerras que durarão séculos entre Cristãos e Islâmicos são iniciadas. De um lado teremos os islâmicos tentando tomar Constantinopla a qualquer custo e resistindo à ataques Europeus na península Ibérica, e do outro lado teremos os Europeus tentando tomar Jerusalém por te-la como terra santa (Aqui surgem os cavaleiros templários), essas incursões à Jerusalém receberão o nome de Cruzada e derramarão muito sangue em nome de Deus.

Nessa época, morrer em uma cruzada era visto como forma de perdão dos pecados, por isso muitos nobres Europeus da época se aventuravam em cruzadas rumo a terra santa. Quando chegavam a um determinado momento da vida, que já não tinham mais o que fazer, estes empreendiam caçada aos Islâmicos.

No inicio do século X a Europa consegue conquistar a cidade sagrada de Jerusalém e cravar a bandeira do cristianismo em solo Árabe. Um reinado é iniciado e uma era de batalhas e sangue se inicia.

Queda do Cristianismo

Jerusalém só retornará às mãos dos Árabes quando Saladino, um pica do oriente médio, no fim do século XI unir forças para expulsar os Europeus de Jerusalém. A Europa não aceita tão fácil a derrota e diversas incursões à Jerusalém passam a ser realizadas pelos reis da Inglaterra, França e Império Germânico, contudo por Saladino ser muito pica, elas não surtem efeito e os Europeus saem derrotados dessa Cruzada

Em meados do século XV o ultimo bastião Cristão tomba no oriente. Forças lideradas por Maomé II (Curdo e Sunita) tomam de assalto a fortaleza de Constantinopla, capital do império Bizantino marcando assim o fim de uma era Cristã no oriente e criando o mais novo império do mundo: O Império Otomano (Atual Turquia).

Tempos Modernos

O Império Otomano se expande e encolhe com o tempo, contudo a presença Islâmica no oriente é assegurada. Vale lembrar que desde a queda do império Romano ocidental (Europeu) o estado de Israel ficou sob domínio da Palestina, e sim, os Judeus sempre tentaram retomar o controle daquela região, afinal para eles, esta é a terra que Deus lhes deu. Vale também ressaltar que por conta da expansão Cristã no ocidente e Islâmica no oriente, o povo Judeu foi perseguido e massacrado, países como Espanha e Russia realizaram massacres contra esse povo, e até mesmo o Brasil chegou a expulsa-los de nossas terras quando esses vieram imigrados.

Vale lembrar também que nem sempre a Palestina esteve sob domínio total de uma unica nação, essa passou de mãos em mãos no decorrer da história, e desde a conquista de Jerusalém pelo Islâmicos esteve sob domínio do Império Otomano.

Tretas

Já no inicio do século XX, o mundo vive o desastre da primeira guerra mundial, o império Otomano se alia aos Germânicos (Prússia) na empreitada. o Resultado é fatídico: Com a derrota, o Império Otomano é diluído (e a Prussia é extinta do mapa, assim como Israel no passado), e para alegria dos Judeus, a Palestina cai nas mãos dos Ingleses.

Sob domínio inglês a Palestina vive um suave momento de autonomia, pois os ingleses não ligavam para aquele pedaço de chão seco. Nessa época, pós primeira guerra, frentes sionistas são formadas (sionismo é o terrorismo Judeu) e uma forte pressão para o restabelecimento das fronteiras de Israel se inicia.

Com o fim da segunda guerra mundial, depois de milhões de Judeus serem mortos; de o estado da Palestina não servir para nada e dos Ingleses não quererem dor de cabeça com o oriente (Já tinham muita com a reconstrução de seu país), é restabelecido o estado de Israel (e criada a ONU). Para isso, divide-se a Palestina em dois pedaços (e que se foda…), coloca-se em Israel centenas de milhares de Judeus, estabelece-se um governo e tora o pau, simples assim.

Evidente que tal ação não agrada o povo Árabe, e em 1967 é eclodida a guerra dos seis dias. Um frente Árabe formada por Egito, Jordânia, Síria, e apoiados por Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão decidem expulsar os Judeus de Israel e devolver a Palestina às mãos dos Árabes. Por incrível que pareça, a coalizão Árabe é derrota pelos poucos Judeus de Israel. Claro, teve apoio dos EUA, e assim é inciada a presença americana no Oriente.

Essa guerra bagunça a porra toda, pois depois dela os EUA criam uma lei de estado que os obriga a defender o estado Judeu. Com o tempo eles passam a comprar os estados Árabes (da coalizão) para que uma outra guerra nesses moldes não ecloda jamais, dessa forma Egito, Arabia Saudita (Sunita), Jordânia (Sunita), Kuwait (Sunita)se calam diante aos dólares Americanos. Uma vasta gama de tecnologia militar americana é transferida à Israel e logo esse pequeno pais se torna um dos países mais armados do mundo. Os estados Árabes se calam, contudo frentes livres passam se formar, e assim como os Judeus no passado, grupos políticos com pretexto religioso se formam, dentre eles Hezbollah no Líbano (Xiita) , Al-Fatah na Palestina (Sunita), Hammas na palestina (Xiita). Sob o pretexto de uma guerra santa, esses grupos jamais reconheceram o estado de Israel e se mostram contrario à dominância Hebreia na região; com isso incia-se a era dos atentados terroristas à Israel, que por sua vez passa a responder aos ataques com mãos pesadas.

A Era do Golfo

Para terror de Israel e dos EUA, no final dos anos 70, um grupos religioso Xiita toma o estado do Irã; é fundada então a Republica Islâmica do Irã e com ela um governo religioso dos Aiatolás é estabelecido. Vale um marco aqui pois, nesse instante assim como em Israel, a religião passa a dominar as discussões politicas e claro, a Revolução islâmica Xiita não para no Irã, e o desejo de um mundo Árabe unido aflora pela região.

Logo após o fim da Revolução Iraniana, o então presidente do Iraque Saddam Russein (Sunita) que governava um pais de maioria Xiita e com movimentos separatistas Curdos (povo de Maomé II) e que aterrorizavam (e aterrorizam)também a Turquia, decide que por conta de uma quebra de um acordo de cooperação entre Irã e Iraque as relações diplomáticas entre os dois países precisariam ser revistas. Claro, uma guerra é travada entre os dois países logo no inicio dos anos 80, era a desculpa que os EUA precisavam para intervir e acabar com a revolta Xiita no Irã e acalmar os ânimos dos islâmicos daquela região. Nessa época, a força aérea do Iraque operava a segunda maior frota de caças do mundo e o Brasil aproveitou a disposição Iraquiana e vendeu muitos Sistemas de Foguetes Astros para o Iraque. Evidente que o resultado foi: Derrota do Irã, e criação de uma super potencia no oriente, o Iraque.

Tendo poder sob suas mãos, logo após o fim da guerra Irã-Iraque, Saddam Russein resolve dar uma causada na região, e invade o Kuwait. Logo o mundo passa a se movimentar, afinal bastava um “peidinho” do bigodudo e Israel iria para os ares. A ONU aprova resolução autorizando a formação de uma coalização internacional que será responsável por dar nome a Guerra do Golfo.

Em busca de apoio, os EUA e a ONU se aliam ao Irã, que passam a receber armas e aviões para derrubar Saddam Russein. Nesse jogo de comadre, o Irã consegue um arsenal considerável, bom o suficiente para se destacar dentre os demais países da região (com exceção da Arabia Saudita). O Iraque fica sob embarque econômico, o Irã, com armas e dinheiro americano, e ainda continua sendo uma Republica Islâmica, que com o tempo passa a apoiar aqueles grupos citados ali em cima: Hezbollah, Al-Fatah, Hammas, que sempre receberam apoio financeiro, não só do Irã, mas também de Bashar Al-Assad (Aluita) da Síria, Muamar Kadaffi da Líbia e da dinastia Al-Saud da Arabia Saudita (Que é regida por leis Islâmicas). Para completar a bagunça, a União Soviética passa a prestar apoio (talvez para perturbar os EUA) à Siria e Líbia que duram até os dias atuais.

O Tempo passou e muita coisa continua da mesma forma no Oriente Médio. Os países Árabes ainda não reconhecem o estado de Israel. E Israel não reconhece a Palestina, o que causou uma bagunça no mundo, afinal na ideia inicial não era pra Israel tomara Palestina.

Grupos políticos de pretexto religioso ainda atacam Israel sazonalmente, que por sua vez já é mais independente dos EUA, e vista como potência militar e econômica na região. Esses mesmo grupos passaram a trabalhar de forma coordenada com outros países, passaram a auxiliar os estados patrocinadores em seus conflitos, como é o caso do Hezbollah (Libanês) na Síria.

O Irã está sob embargo econômico americano e da ONU por conta de suas politicas nucleares, contudo ainda assim presta suporte à frentes Xiitas da região; é hoje o único patrocinador de forças Xiitas.

O Iraque, Líbia e Síria desde a saída dos EUA do Iraque vive sob terror do Daesh (Estado Islâmico — Sunita), grupo terrorista que surgiu de frentes independentes (como Franquias) da Al-Quaeda (Sunita e de origem Saudita) no Iraque . Ainda no Iraque, frentes Curdas (aquelas de Maomé II) defendem seu povo e terra das garras do Daesh, ao mesmo tempo, os Curdos são vistos como terroristas pela Turquia que os bombardeiam diariamente por temerem uma revolta em busca da independência do Curdistão (Território Curdo entre Iraque e Turquia).

No fundo, o conflito no Oriente se resume à proteção ocidental ao estado de Israel, e à disputa de poder religioso e politico entre os dois braços Politico-Islâmicos: Sunitas e Xiitas. No meio dessa bagunça ficam os povos de minoria, como os Curdos que antes de serem Islâmicos, são Curdos, os Aluítas, povo de minoria no Oriente, e os Cristãos (Coptas) dispersos entre Egito, Iraque e algumas outras regiões.

Antes de se sentir aliviado com o fim do texto, saiba que não sou historiador, e que erros certamente existem nesse texto. Caso os encontre, fique a vontade para corrigi-los, de quebra, deixo o meu obrigado, e bora tomar uma!

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