Somos como os escorpiões

Recentemente assisti a um documentário do Michael Moore - invasor americano- que exibiu uma serie de políticas sociais que foram capazes de mudar a sociedade de alguns países mundo a fora. O que mais me chamou a atenção, e me trouxe a esse post, foram as escolas finlandesas - pais que detêm os melhores alunos do mundo, e que as crianças não estudam mais que 30 horas na semana-, e as prisões norueguesas - que possuem índice de recuperação social em torno de 80%- , onde os presos ficam "soltos", sendo responsáveis por conviverem em harmonia em uma fazenda que é uma "prisão".

Antes de colocar meu ponto de vista vale ressaltar que ambas sociedades estão entre as mais desenvolvidas no mundo, que é formada por pessoas instruídas e com alta noção de cooperatividade e companheirismo, assim possuem uma população carcerária baixa e um investimento relativamente alto em educação, talvez por isso tenham poucos detentos.

Para ambos os casos percebi que a evolução social do ser humano para uma sociedade já evoluída é diretamente proporcional à liberdade (livre árbitro) que ele possui, passando assim, para aqueles que vivem dessa liberdade o senso de responsabilidade individual e coletiva, que por sua vez, incide diretamente no indivíduo e por consequência na sociedade. Ou seja, a liberdade percebida pelos indivíduos é o que fornece engajamento individual e social.

O fato das crianças finlandesas serem livres para poderem brincar, e da pedagogia aplicada respeitar os limites sociais das crianças, acaba por criar nas crianças um senso comum de responsabilidade individual e coletiva que faz com que enquanto estas estiverem em sala de aula que o ensino seja 100% proveitoso. Afinal elas sabem que mesmo na escola é lugar de ser criança, assim se sentem "livres" para ser criança.

Da mesma forma os prisioneiros noruegueses - que não são alienados pois se não estariam em um hospital psiquiátrico- possuem o discernimento de que o que fizeram foi errado e que por isso devem cumprir a pena no presídio - fazenda- tanto para o seu próprio bem quanto para o da sociedade. Não havendo do que se queixar das instalações e infra-estrutura do presídio, o detento entende que não está perdendo nada além daquilo que ele se sujeitou a perder. Sua vida não é subtraída. De certa forma sua liberdade de escolha foi respeitada, assim não se rebelam, não fogem e se "recuperam".

Assim me parece que nós humanos somos como os escorpiões, pois quando nos sentimos ameaçados, violados, encurralados ou prejudicados nos inclinamos as alternativas que nos sabotam. Me parece que quanto mais oprimido, rejeitado, encurralado formos, mais nos auto destruímos, pois perdendo a liberdade, de agir, pensar, comunicar, estamos perdendo o propósito daquilo que nos propomos a fazer, que quando integrado em algo único chamamos de vida.

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