Trabalhar com o abstrato.

Sobre a industria do desenvolvimento de software.

Ninguém dúvida que a indústria de software está em alta, não somente a de pesquisa e desenvolvimento e produtos, mas também a de prestação de serviços. Mas como é trabalhar em uma indústria onde o que se vende é totalmente abstrato; quais são os desafios; como é medido o resultado e o que é vendido?

A indústria do software surge como um adendo à engenharia em meados da década de 70, surge com modéstia, com receio. Demora para se normalizar, criar métodos analíticos e até mesmo conseguir medir seus resultados. Passou por grandes dificuldades inicialmente principalmente por ter no hardware — engenharia aqui novamente — seus maiores limitadores. Por conta dessa herança pesada, travada e específica, e de ser vista inicialmente somente como uma ferramenta a mais, ela demora a tomar forma.

Somente na década de 90, ferramentas, pesquisas, métodos e processos passam a ser desenvolvidos e evoluídos. Novas linguagens de programação e novos conceitos de programação surgem em diversas universidades mundo a fora, diagramações, especificações e etc passam a ser criadas, adaptadas ou reutilizadas de outras áreas. Assim, diante de um conjunto de idéias novas e de uma porção de ferramentas e processos de outras áreas surge a indústria do software. Essa que conhecemos atualmente, que emprega muita gente e que não para de crescer. Essa que você contrata para desenvolver, manter, melhorar os sistemas que utilizamos.

Contei toda essa história acima, a qual você também pode encontrar nos livros de engenharia de software de Pressman ou Sommerville para poder fazer uma distinção da “arte” de se criar software, para arte de criação abstrata em geral, seja ela música, propaganda, cênica ou até mesmo ilustrada, por que, apesar de todas essas possuírem objetivos e metas, acredito que somente a do software traz consigo a ideia de indústria, não somente a de criação, mas também a de produção.

Produzir software não trata se apenas de sentar em cadeira e esperar uma entidade te iluminar, ou mesmo estar em um dia adequado, ou ser inspirado por algo ou alguém. Apesar de ser algo abstrato, a produção do software requer todo um conjunto de ferramentas que permitam extrair indicadores não somente de produtividade, mas também de entrega, qualidade, velocidade e capacidade produtiva.

Para entender um pouco do paradoxo, tente imaginar um pintor que possua em sua oficina esses mesmos indicadores. Seria ele capaz de medir sua produtividade? Seria ela por pinceladas? Ainda, ele conseguiria entregar duas obras por mês com a mesma qualidade sempre?

Pois é, para a indústria do software isso já é realidade, e essa transformação vem acompanhada por uma avalanche de métodos, processos, dinâmicas e pessoas incríveis. Novos mundos surgem a cada dia, novas siglas, novos meios, o que demanda uma atualização constante do profissional da área.

Já não é mais sobre escrever linhas de código em Java ou C, agora, é saber “Agile”, “SAFE”, “Lean”, “scrum”,”ITIL”, Digital, “DevOps”, “SAS”, “BI” e etc. Métodos, processos, controle, desempenho, assertividade e dinâmica já são mais importantes hoje em dia do que os “if else”.

Não há dúvida que a nossa era é a era dos serviços, afinal de agora em diante esses poderão ser medidos, além de vendidos.


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