Imagem: War, por FierceBabyDoll (Christine) no deviantart.

Eu Só Queria Dizer Que (Quero)

18 de outubro de 2016.

Oi,

Olha, eu só queria dizer que eu te quero.

É isso. Não tem muito mistério. Não tem floreio.

Por que eu te quero? Eu não sei dizer. Gostaria de ter uma resposta, apesar de que às vezes é um vício isso de querer resposta para tudo. Talvez não tenha nenhuma. A certeza, no entanto, é que te quero.

É engraçado como que a gente tem medo de demonstrar as coisas, né? Não dizemos para as pessoas o que queremos. Confundimos amor próprio com orgulho. Achamos que, quando não falamos nada, estamos evitando uma humilhação e preservando nossa imagem, quando na verdade só nos tornamos orgulhosos demais para assumir os riscos por alguém especial e que merece, sim, mais do que apenas umas tentativas displicentes. Isso é a mais pura autossabotagem.

Essas coisas pela metade, me cansei delas. Talvez você também. Essa coisa de “talvez eu goste mais dela, se ele me devolver dessa maneira”, esse investimento feito em juros e parcelado. Essa expectativa de investimento seguro. Eu quero colocar tudo pra fora. Quero ver as crianças dançando para nós, os blocos de carnaval saindo em pleno outubro. Eu quero a chuva de verão, e os fogos de réveillon. Quero apostar tudo que tenho e voltar nu para casa se for necessário.

Sim, a palavra final é sua. Todos os esforços podem ser pra nada, eu sei, mas se não apostar, eu nunca vou saber, nem você. Então você decide, e ainda vai decidir, mas eu já sei que te quero.

E não te quero assim só de dar uns beijos numa festa, e depois te dar uns beijos na sua casa ou na minha, e depois num ponto turístico, e depois em algum outro lugar qualquer. Essa água de salsicha não serve. Pode ser bom por um tempo, na primeira, segunda, terceira vez, mas eu sei que você é mais do que isso. Não é só o ouro do seu cabelo ou o lago cristalino dos seus olhos (ou essa sua cinturinha).

Eu te quero pra gente ficar do lado um do outro sem fazer nada. Eu quero poder ouvir a sua voz e sentir seu cheiro sempre. Eu quero trocar áudios com você e me desculpar quando eles ficarem muito grandes. Eu quero pegar na sua mão, acariciar ela com a ponta dos meus dedos. Eu quero te fazer um bom cafuné quando você estiver com sono e quiser apoiar a cabeça no meu peito (e vice-versa, direitos iguais!), e dividir o fone de ouvido pra te mostrar uma música nova. Quero mais que recomendações de séries de um para outro; quero que vejamos várias delas juntos.

Hoje eu percebo: há pessoas que valem o desgaste, que valem a perseverança. Por elas, sangramos, se necessário. O amor é como uma batalha. Eu posso fingir que não me importo e continuar no meu castelo sem nunca ter certeza, ou posso por todo o exército rumo à conquista.

E o que eu quero mais mesmo é que as catapultas lancem essas palavras, porque elas são minhas âncoras e me dão segurança. Quero que elas derrubem suas muralhas, que abalem suas estruturas, que causem tremores e façam os alicerces do seu castelo ecoarem.

No fim das contas, a consciência é tranquila. Estando caído ao gramado sem arrependimentos, sangrando como o Gonzaguinha; ou aceito por você, fazendo juntos todas essas coisas que enumerei durante o texto todo.

Eu só queria dizer isso mesmo. É meramente um detalhe, na verdade. Tudo segue normalmente. Não haverá feridos, então não há porque recuar.