O Porto

Cais das Colunas em Lisboa, Portugal.

Na superfície e nas profundezas
O mar é grande, mas não infinito
Não importa o quanto eu navegue
Sempre passo pelo porto

Bem longe do mar, eu sempre vi
As muitas belezas desse porto
Mas chegava a duvidar da verdade
E se for algum tipo de miragem
Ilusória terra firme
Mentirosa água doce

O porto não usa seu farol
Esteve sempre fechado
Não atende pedidos de socorro
Nem de passagem

O porto tem perguntas sobre deus
Duvida sobre o propósito dessas águas
Não percebe ele que tanta água
No final possa ser justamente
O que lhe dá propósito

O porto quer curar as pessoas
Mas está muito ocupado para conhecê-las
Não percebe ele que toda essa gente
No final possa ser justamente
O que lhe impele a curá-las

O porto quer fazer descobertas
Mas tem receio de seus barcos nunca voltarem
Não percebe ele que todos esses barcos
No final possam ser justamente
O começo de novos portos em novos lugares

Antes via ao longe, ficava maravilhado
Mas voltava a navegar
O porto sumia no horizonte
Seu castanho junto ao castanho do céu

Mas os ventos sopram
Os ponteiros avançam
E sempre há aquele porto
A onde se chega
De onde se parte

Comecei a ficar intrigado
Com as belezas do porto e o que ele escondia
Mas o porto, ele era irredutível, e eu dizia

Me deixa atracar, me deixa atracar
Me deixa contar as belezas do mundo
Das coisas que eu vi, que ouvi

Me deixa atracar, me deixa atracar
Me deixa confirmar uma das maiores maravilhas
Dentre as coisas que eu vi, que ouvi

Me deixa atracar, me deixa atracar
Não preciso de muito espaço, nem de muito tempo
Só preciso de um olhar, de uma voz, de um abraço

Me deixa atracar, me deixa atracar
Me deixa andar pelo teu cais
Me deixa ver pelas luzes do teu farol
Encontrar repouso, um pouco de paz

Me nego a navegar novamente
Cansei de transparecer lucidez
Através de um mar vazio e arredio
Não vou embora, não dessa vez

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