99 tem impacto positivo nas cidades

Estudo inédito da Fipe aponta os efeitos da entrada da plataforma na Região Metropolitana de São Paulo

Imagem aérea da avenida Paulista (Foto: Shutterstock)

Os serviços dos aplicativos de mobilidade urbana já estão consolidados nas cidades brasileiras. Milhões de passageiros utilizam as plataformas para se deslocar diariamente e milhares de motoristas circulam pelas ruas para atender a vários passageiros ao longo do dia. E quais os impactos socioeconômicos da entrada dos aplicativos nos centros urbanos?

Foi esta pergunta que um estudo realizado pela Fipe em parceria com a 99 procurou responder.

É o primeiro trabalho que faz avaliações de impacto baseada em dados reais de viagens e que analisa o efeito do e-hailing sobre variáveis econômicas como renda e produtividade dos passageiros.

Os pesquisadores cruzaram dados da 99 com outros, majoritariamente provenientes das pesquisas de origem e destino do Metrô de São Paulo, e realizaram simulações. Utilizando métodos econométricos e de engenharia de transportes (regressões, modelos de Quatro Etapas e Espacial de Equilíbrio Geral Computável), foi possível levantar uma estática comparativa para aferir as mudanças.

Os impactos foram medidos em relação a uma ‘baseline’ para cinco cenários, elaborados conjuntamente entre a 99 e a Fipe. O cenário base é tal qual a situação do transporte na RMSP em 2017 e os dados dizem respeito a um dia típico na região.

Os impactos econômicos são calculados para o curto e para o longo-prazo.

· Cenário 1: viagens da 99 no início de 2018;

· Cenário 2: viagens da 99 expandidas a um número que representa uma razoável expansão de mercado pretendida pela 99 nos próximos anos;

· Cenário 3: 99 passa a substituir 10% das viagens que hoje são feitas por pessoas dirigindo seus próprios carros — por um modo privado compartilhado entre três passageiros que dividem o mesmo par de origem e destino de viagens;

· Cenário 4: idêntico ao anterior, mas supondo uma substituição de 50% das viagens;

· Cenário 5: idêntico ao anterior, mas supondo uma substituição de 100% das viagens;

Uma vez que a 99 se expandiu do início de 2018 até o momento atual, podemos dizer que estamos em algum ponto entre os cenários 1 e 2. Eles captam os impactos do serviço da 99 tal como ele é hoje.

Os três cenários subsequentes dão uma perspectiva dos efeitos de um compartilhamento de viagens, algo que vai ao encontro do que se espera para o futuro do transporte como um serviço sob demanda.

Abaixo, são apresentados os principais resultados, explorados a fundo no decorrer do relatório completo.

· Estimou-se que, hoje, 85% das viagens da 99 são compostas por deslocamentos que antes eram feitos por modais privados (especialmente carros próprios);

· Na média, o tempo das viagens fica praticamente inalterado (queda de 0,02% no Cenário 1, aumento de 0,04% no Cenário 2);

· O ganho de acessibilidade também acarreta aumento no número de postos de trabalho que os usuários da 99 atingem em relação ao que atingiam no cenário base. Quem utiliza 99 tem acesso a 2.000 empregos a mais do que as pessoas que não utilizam.;

· O salário médio dos trabalhadores é impactado positivamente em 0,01%-0,04%;

· O PIB da RMSP aumenta em 0,002%-0,013%;

· A 99 já reduziu a demanda por vagas de estacionamento na RMSP em 78–420 mil vagas (0,6%-3,3%).

Os cenários que supõem compartilhamento de viagens (3, 4 e 5) apresentam ganhos potencializados de:

· Tempo de deslocamento (queda de 4,49%-23,22%),

· Salários (aumento de 0,30%-2,15%)

· Produto da economia (aumento de 0,04%-1,089%)

· Acessibilidade (aumento de 0,69%-6,66%)

· Demanda por vagas de garagem (queda de 6,4%-79,4%)

Aponta-se, por fim, para um futuro onde o transporte privado é otimizado e potencializa seus benefícios às cidades se ele for compartilhado e integrado com as linhas de transporte estrutural da cidade, substituindo o automóvel próprio.