Vale a pena ter carro próprio?

99
· 6 min read

Estudo aponta que trocar veículo por corridas da 99 pode significar economia de mais de R$ 850 por mês

As grandes e médias cidades brasileiras ainda sofrem com as consequências de décadas de políticas de planejamento urbano que colocavam o carro como elemento central.

Foram anos priorizando o carrocentrismo no desenho das cidades e estimulando a compra do veículo próprio, em detrimento de investimentos em multimodalidade, inclusive em modais ativos.

Isso resultou em cidades com infraestrutura bastante dedicada a carros e com um número enorme de veículos individuais nas ruas e avenidas. A frota cresceu ano após ano em algumas cidades.

A frota de veículos seguiu crescendo em diversas cidades brasileiras, como indicam os dados do DENATRAN

Então, mesmo que possuam espaço viário e estacionamento abundantes, nossas cidades não atendem suficientemente a quantidade de veículos que se deslocam nos horários de pico, o que gera engarrafamentos e atrasos enormes.

O que torna essa situação ainda mais grave é que — como já destacado em estudo anteriormais de 60% dos deslocamentos de automóvel costumam ser de baixa distância, até 5km.

Essas viagens poderiam, portanto, ser facilmente substituídas por outros modais.

Muitas pessoas já têm percebido isso e têm notado que não é necessário possuir um automóvel para usufruir dele. O transporte como serviço está se consolidando conforme os aplicativos de mobilidade têm crescido e se provado uma alternativa viável ao carro próprio.

Substituir o veículo individual por corridas de aplicativo pode significar economia de milhares de reais ao ano para o passageiro.

Usar app pode ser bom para o seu bolso

Um estudo da 99, realizado com base nos custos de um carro próprio popular e nos valores de corridas da plataforma, demonstra que, aos moradores das capitais brasileiras, possuir um automóvel vale a pena somente para aqueles que fazem longos deslocamentos diários.

O primeiro passo foi medir o custo médio de possuir um automóvel de passeio, popular, levando em conta apenas os custos fixos, que o motorista vai ter mesmo se não fizer qualquer viagem com ele.

Ou seja, só pelo fato de possuir um veículo próprio a pessoa já estará gastando no mínimo R$8.397,62 por ano.

Caso este veículo seja um GM Onix, o carro mais vendido no país nos últimos anos e longe de ser uma das opções mais caras, o custo já passa de R$10.000 anuais. Para carros de maior padrão, tais custos crescem proporcionalmente.

Este custo normalmente é subestimado pelas pessoas, já que boa parte dele está ligado a gastos financeiros que não saem da conta corrente. Isto é, relacionados à depreciação do carro, que perde aproximadamente 8% do valor anualmente nos primeiros 5 anos, e ao custo de oportunidade, que é a rendimento extra mínimo que o dinheiro do automóvel poderia gerar (considerando 4,5%, da poupança).

Além disso, existem os custos variáveis, que dependem da quantidade de quilômetros de deslocamento e da quantidade de meses que o carro é utilizado como principal meio de deslocamento para trabalhar ou estudar.

Trocar o carro próprio pelo uso de aplicativos de transporte pode significar uma boa economia ao final do ano.

Naturalmente, os custos variáveis referentes ao deslocamento por aplicativos são mais altos, já que, além dos custos com combustível, ainda é necessário remunerar o motorista. No entanto, como não existem custos fixos no caso das viagens por aplicativo, como é o caso do carro próprio, este balanço, muitas vezes, é positivo.

Peguemos um exemplo: utilizando os dados de tarifa do 99POP na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, é possível verificar como cresce o custo do carro próprio e da plataforma de acordo com a quilometragem percorrida por dia útil, como mostra o gráfico abaixo.

Como dito anteriormente, o custo variável do 99POP é mais elevado, o que se verifica pela diferença de inclinação nas duas retas. No entanto, devido ao elevado custo fixo do carro próprio, o custo de possuir um carro só é menor do que usar 99 se as distâncias percorridas forem maiores do que 47,18 km (no caso do Rio de Janeiro e de estacionamento pago).

Dessa mesma forma, calculou-se qual seria a distância máxima percorrida por dia pelo usuário em várias regiões metropolitanas para que valha a pena para ele vender seu carro, mesmo que só use aplicativos em seus deslocamentos.

Como os custos variáveis do uso do carro próprio e as tarifas do 99POP são muito diferentes em cada cidade, as diferenças de distância máxima para cada região metropolitana são bastante significativas. A tabela a seguir mostra estas distâncias:

Para tornar essa discussão mais concreta, juntou-se também alguns exemplos de trajetos diários e a economia anual que isso significaria para o usuário que vendesse seu carro e usasse apenas 99POP.

Na seguinte tabela, usamos itinerários da Região Metropolitana de São Paulo:

Caso a pessoa esteja no grupo que não paga estacionamento, ainda assim, é possível economizar em quatro dos trajetos demonstrados no primeiro exemplo.

Fica claro, então, que mesmo para trajetos de média e longa distância, é possível economizar milhares de reais anualmente.

Aplicativo + transporte público = mais economia

Em algumas situações, as distâncias percorridas diariamente por uma pessoa podem ser extremamente elevadas e talvez a troca do carro próprio pelo aplicativo não compense para os trajetos completos.

Além disso, em outros casos, as pessoas não residem perto de estações de metrô e trem (75% da população paulistana, por exemplo, mora a mais de 1km de uma estação de transporte estrutural, como destacamos em outro artigo), fazendo com que as pessoas tenham dificuldade em abandonar o carro próprio.

Nessas ocasiões, estas pessoas podem economizar bastante caso utilizem o serviço dos aplicativos e o transporte coletivo de maneira complementar.

Assim, esse passageiro não teria o custo completo de uma viagem de carro até o destino final, mas sim de um trajeto reduzido somando à passagem do transporte coletivo.

Para demonstrar esta possibilidade, novamente procurou-se exemplos de como isso seria possível em algumas cidades. Levantou-se alguns exemplos de quanto os usuários poderiam economizar em alguns trajetos.

Abaixo, compartilhamos três exemplos:

Enfim, fica claro que a 99 pode oferecer uma excelente opção para pessoas que desejam economizar. Vender o carro próprio, seja substituindo suas viagens diárias diretamente ou complementando o transporte coletivo, pode ser uma preciosa fonte de economia.

Além disso, vale ressaltar que esta substituição pode trazer inúmeros benefícios para as cidades. Afinal, uma vez que uma pessoa abandona o seu carro próprio, cada viagem adicional, se feita por aplicativo, terá um custo e ele tende, então, a fazer mais corridas de transporte coletivo ou de mobilidade ativa do que costumava fazer quando possuía o carro próprio.

Para onde vamos?

Reflexões sobre mobilidade urbana no Brasil.

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Seu app pessoal de transporte urbano. :)

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