Mark Zuckerberg postou em seu perfil pessoal a notícia de que a descentralização e a aplicação de criptomoedas ao Facebook será seu novo desafio pessoal para 2018.

Lidia Zuin
Jan 10, 2018 · 4 min read

Na semana passada, ao comentarmos sobre a iniciativa de mineração de criptomoedas com ajuda do calor do corpo humano, proposta pelo Institute of Human Obsolescence, também levantamos a questão da remuneração pela criação de dados que todos nós, como usuários na internet, acabamos por exercer sem, no entanto, sermos remunerados por isso — enquanto que grandes empresas como o Facebook e Google capitalizam todos esses dados para sua própria economia.

Curiosamente, também na semana passada Mark Zuckerberg publicou em sua rede social uma novidade sobre seu próximo desafio pessoal: a implementação de um sistema de criptomoedas para o Facebook.

Como um bom businessman que é, o criador do Facebook parece ter encontrado o melhor momento para entrar na discussão, uma vez que o tema das criptomoedas está mais forte do que nunca e, assim como ditam as previsões tecnológicas para este ano, ou as empresas adotam esse pensamento e ferramenta, ou são passadas para trás.

Em entrevista para o site Futurism, Clement Thibault, analista sênior da Investing.com, diz que não há nenhuma surpresa nessa decisão: “Eles viram a enorme atenção popular e a quantidade de dinheiro que foi investida em criptomoedas em 2017. Posicionar-se para tirar proveito de uma nova ferramenta, uma nova tecnologia, e uma potencial nova oportunidade de negócio faz sentido.”

Com mais de 2 bilhões de usuários ativos na rede social mensalmente, o desafio de Zuckerberg em combinar o papel da tecnologia com o empoderamento das pessoas não é pouco: em um momento no qual o próprio empresário vê a questão da centralização e da descentralização como latente, como fazer com que sua empresa, uma das gigantes concentradoras junto ao Google, se torne menos centralizadora?

Zuckerberg lamenta como algumas grandes empresas e tecnologias interessantes acabaram sendo revertidas em ferramentas de vigilância em vez de realmente fornecerem soluções para as pessoas. Por isso, é nas criptomoedas e na criptografia que Zuckerberg vê uma forma de corrigir esse lapso. “Estou interessado em me aprofundar e estudar os aspectos positivos e negativos dessas tecnologias, e como usá-las da melhor forma em nossos serviços”, ele escreveu.

Em um artigo para o site Futurism, Dom Galeon questiona se esse empreendimento aconteceria ainda este ano. Ao contatar o Facebook, um representante afirmou não poder dizer nada sobre o assunto no momento, porém que isso não significaria que se trata de uma proposta impossível, e que uma criptomoeda conectada a uma rede social como o Facebook é algo certamente “interessante.”

Esse tipo de empreitada já tem sido feita por empresários como Yonatan Ben Shimon, fundador da Matchpool, uma empresa combinando criptomoedas com atividade em rede social. Segundo Shimon, no mínimo, uma criptomoeda do Facebook poderia ser usada para recompensar usuários que criam conteúdo. Ele também disse ao Futurism que Zuckerberg deveria consultar especialistas em crypto antes de seguir em frente. “Se eles tomarem essa iniciativa, pode ser incrível. Mas para fazer isso direito, eles têm que se aliar a parceiros do universo crypto que entendem como fazer isso de forma descentralizada”, opina.

Contudo, de acordo com Clement Thibaut, da Investing.com, o Facebook já está, de certa forma, familiarizado com blockchain e criptomoedas — em dezembro do ano passado, a empresa introduziu um modo de pagamento P2P no Whatsapp (plataforma também pertencente ao Facebook) para o mercado indiano. “Sabemos que eles estão interessados em facilitar transações entre pessoas, o que é algo que criptomoedas como o Bitcoin têm como objetivo.”

Apesar de ser apenas um pequeno investimento focado em somente um país e em uma plataforma não tão popular quanto o próprio Facebook, ainda assim o projeto se trata de um teste para uma maior aplicação. “Como exatamente o Facebook será capaz de achar um lugar em verdadeiras transações descentralizadas e peer to peer ainda está para ser descoberto”, comenta Thibault. “A questão é se eles irão realmente integrar o blockchain depende no quanto e se eles vêem isso como viável e lucrativo como um modelo de negócio.”


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Lidia Zuin

Written by

Brazilian journalist, MA in Semiotics and PhD candidate in Visual Arts. Head of innovation and futurism at UP Lab. Cyberpunk enthusiast and researcher.

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