
Como aproveitar 3 dias em Amsterdã na temporada das tulipas
Em maio desse ano (2017) eu e Alex (meu marido) visitamos Amsterdã, vou contar nesse post como foram os 3 dias na cidade no auge da estação das tulipas.
Quando decidimos visitar Amsterdã foi meio que por impulso na eminência de um feriado prolongado na Irlanda. Aqui eles tiveram a ideia genial de que todo o feriado oficial é jogado para segunda-feira. Ótimo para a população e bom para as empresas em geral, que não precisam interromper atividades no meio da semana, com feriados na quarta, por exemplo.

Agendamos a viagem, reservamos o hotel, e então comecei a planejar nosso roteiro de 3 dias. Foi nesse momento de planejamento que me deparei com a informação de que essa era a alta temporada das tulipas na Holanda. Informação mais do importante para uma apaixonada por parques e jardins como eu. Em uma pesquisa rápida descobri que o jardim mais perto da cidade era o Keukenhof Garden, mais do que na hora agendei um tour de 5 horas para lá. Como sempre recomendo, ainda mais em alta temporada é muito importante comprar antecipadamente os tickets e os ingressos, principalmente em viagens curtas, para não perder muito tempo em filas ou até mesmo correr o risco de não conseguir visitar o que gostaria.

Chegamos sábado de manhã na cidade e confesso que me surpreendi com a quantidade imensa de pessoas nas ruas, nunca tinha visitado uma cidade na Europa com tantos turistas. Alex já tinha turistado em Amsterdã na época de solteiro com um grupo de amigos, ele ficou ainda mais surpreso porque segundo ele, quando foi era Julho, auge do verão europeu, e a cidade não estava nem perto da lotação de agora.
Alguns meses depois acabei lendo um artigo sobre uma reunião de ministros de turismo dos principais países europeus e nesse artigo o ministro de turismo da Holanda falava que Amsterdã não comporta mais turistas, que para os próximos anos eles estão estudando medidas para conter a grande quantidade de visitantes. Visto que o lucro que eles trazem não é suficiente para cobrir o estrago e manter os patrimônios seculares da cidade. Apesar de polêmico achei a reflexão interessante. O fato é que isso começa a ser realidade, o Peru já instalou medidas para conter a quantidade de turistas que visita Machu Picchu, por exemplo.

Voltando para Amsterdã, o primeiro dia foi de passeios pelas ruas, reconhecimento local, caminhadas pelos canais e principais praças. A cidade é super convidativa para uma boa caminhada, então tênis no pé é a melhor opção. As tão famosas bicicletas também são uma ótima alternativa, mas vou confessar que com a quantidade de turistas na cidade eu não ousei ter coragem de pilotar uma bike por lá. Considerei de alto risco essa opção, já que sou meio desastrada, certo que atropelaria alguém.

Escolhemos um hotel bem na frente da estação de trem principal, que é bem central. Para mim em viagens curtas é sempre essencial escolher uma acomodação central, para não perder muito tempo e ter essa facilidade de deslocamento. Paga-se mais, mas do meu ponto de vista vale a pena.
De forma geral a primeira impressão da cidade foi muito positiva nesse primeiro dia. Logo me encantei pelas casinhas grudadas umas nas outra, os canais, as cores, a arquitetura única, tudo muito antigo e bem preservado. Encerramos a noite petiscando queijos holandeses e bebendo vinho no hotel mesmo e apreciando a vista.

Acho injusto Amsterdã ser majoritariamente famosa pela maconha e pela “red light district”, que é a rua onde as(os) prostitutas(os) se expõe na vitrine. A cidade tem muito mais do que isso, esses dois itens podem passar até despercebido na minha opinião. Sobre a famosa rua, minha sincera opinião é de que pode até atrair turistas, mas é de uma crueldade e depressão sem tamanho. Obviamente que eu passei por lá, mas fiquei tão triste de ver a exposição de pessoas como carnes em açougue. Claro que prostituição é algo milenar, mas enfim sabemos que muitas pessoas estão naquela situação obrigadas e em regimes escravos. Para encerrar a história, eu achei uma atmosfera depressiva e opressora.
Voltando ao nosso roteiro, no segundo dia a programação era museu. E nesse capítulo a cidade dá show. Além do famoso Museu do Van Gogh, Amsterdã tem muitos outros e de altíssima qualidade e diversidade. Quero voltar lá para dedicar mais tempo aos museus. Nessa ida o do Van Gogh foi o escolhido e como dito anteriormente o ticket antecipado foi salvador. Redundante falar da obra genial do Van Gogh, vale cada euro a visita.

Achei muito interessante um fato que eu não sabia da vida de Van Gogh e acabei descobrindo lá. As obras do artista ficaram famosas postumamente graças à dedicação extrema e inteligente da cunhada dele pós morte de Van Gogh. Quem financiava a carreira do artista em vida era o irmão mais velho, que tinha uma galeria de arte. Mas em vida Van Gogh acabou não decolando, a conexão dele e do irmão era tão grande que pouco tempo depois do pintor morrer o irmão faleceu também. A cunhada viúva, que herdou a galeria, não quis deixar morrer o sonho do falecido marido de ver o irmão famoso e trabalhou para tornar as obras famosas. Ela conseguiu além de tornar o artista famoso, fazer finalmente as obras renderem financeiramente e se tornarem mundialmente famosas. Mulheres, mulheres, sempre as mulheres.


Mais jardins, parques, mais passeios pelos canais e aquelas descansadas básicas nos cafés. Hora de fazer a parada obrigatória na visita à fábrica da Heneiken, oficialmente chamado de Heineken Experience. Sim é blockbuster, mas para mim que trabalho com Marketing e já trabalhei no setor de bebidas, esse tipo de atividade é essencial. Não só para ver o que as marcas estão fazendo, mas porque experiência entre marca e consumidor é o que há no presente e para o futuro. Nada substitui isso do ponto de vista de marketing. E nesse aspecto essas visitas são uma aula de como encantar, de como se aproximar do cliente, de como se perpetuar. A visita da Heineken não é diferente, mas no meu ponto de vista a visitação da Guiness em Dublin está à frente no quesito marketing. Quem sabe em um outro momento posso fazer um post somente sobre isso.


Segunda-feira era nosso terceiro e último dia na cidade e, esse começou bem cedo com a excursão para o famoso jardim. Eu estava super ansiosa para essa visita, pois as fotos que tinha visto eram encantadoras demais. Embarcamos no ônibus que em 40 minutos nos deixou na entrada do jardim, tínhamos cerca de 3h aproximadamente para explorar todos os tipos de tulipas possíveis e depois retornar para o ônibus.

As tulipas são tão encantadoras que conquistaram até mesmo o Alex, que estava de nariz meio torto por ter que passar 3h visitando um jardim com flores. Logo, na entrada ele foi o primeiro a reconhecer que realmente era algo único. A união da delicadeza e de todo o cuidado que eles tem com o local torna a visita uma explosão de cores e formas. A cada passo, a cada momento, uma surpresa diferente. Muito encantador, faltam palavras para descrever, as fotos mostram um pouco, mas é realmente um lugar para se ver ao vivo. O Keukenhof Garden fica aberto somente de março a maio. Logo, é bom se programar com antecedência. Quem fica mais tempo na cidade pode explorar outros parques e fazendas de tupilas nessa época, não faltam opções. Para a nossa estadia curta essa opção me pareceu a mais viável.






De volta à Amsterdã, almoço rápido e ainda tínhamos mais um passeio agendado, o tour de barco pelos canais. Depois era pegar as malas e partir para o aeroporto. Confesso que a essa altura da viagem o cansaço estava pegando mesmo. Primeiro porque não somos mais adolescentes, e segundo porque a combinação dormir tarde, depois de jantar bem e beber, e acordar cedo demanda bastante energia. O passeio pelo canal é um tour guiado, então é uma ótima opção para aprender coisas básicas sobre a cidade, principais fatos históricos e dados importantes. Não temos muitas fotos porque estava chovendo um pouco na hora do nosso passeio. Mas como disse é super válido para aprender mais sobre a cidade de forma resumida e objetiva.

Nossa viagem não tinha muitos objetivos gastrônomicos, até porque estava super complicado conseguir um lugar nos restaurantes bacanas e famosinhos em tão pouco tempo e com tanta gente circulando. Mas posso dizer que a fama da Holanda por seus produtos derivados do leite faz totalmente juz. É um queijo mais maravilhoso que outro, coisa que nunca tinha experimentado na vida. São tantos sabores, texturas, misturas, impossível não querer provar todos. Quem tem problemas com a lactose pode se preparar para sofrer. Tem lojinhas de queijos por todos os lados e com umas embalagens especiais para a viagem, logo é bem fácil de acomodar na mala.
Em resumo os 3 dias foram muito bem aproveitados em Amsterdã, as tupilas são encantadoras, recomendo altamente visitar nessa temporada. Da minha parte vou planejar uma ida para lá no inverno, que assim garanto mais tranquilidade para visitar os museus. A Europa de forma geral é fantástica no verão, com flores e jardins colorindo a paisagem, mas é um teste de paciência no quesito filas e disponibilidade dos locais.


