Ingobernable

Nickolas Ranullo
Aug 26, 2017 · 2 min read

Portão de embarque. Voo internacional. Ela estava lá, sozinha, com sua mala. “Você vai mesmo sozinha? Não tem medo?”, “Ah, mas já que vai sozinha… Vai que encontra alguém lá”, essas foram algumas — poucas — coisas que ela ouviu depois que anunciou que viajaria sozinha para o exterior. Eram férias. Não só do trabalho, mas dela mesma também.

O voo, do Brasil para a Espanha — país escolhido — , não é dos mais curtos, mas também não é dos mais longos. Pensou no que estava fazendo. Pensou no que iria fazer. Resolveu cochilar um pouco para talvez não ter de pensar tanto. Os sonhos, no final das contas, são nosso último abrigo.

Desembarque. Agora… Não havia roteiro. Quer dizer, havia. Não era bem um roteiro, se for pensar bem. Era um desejo. Um desejo de conhecer aquilo que queria conhecer. Sem amarras. Liberdade é um bairro que a alma quer visitar, diria Criolo. Tem liberdades que podem ter o tamanho de um país inteiro. De um mundo inteiro.

Foto por: Jéssica Veríssimo

Fotos. Fotos. Fotos. Fotos. Muitas fotos. Nem todas as fotos do mundo, como os turistas japoneses aparentemente adoram tirar, são capazes de replicar um momento com total exatidão. A gente fotograva, na mente, a história que vivemos. E quantas histórias podemos viver? Ela descobriu que pode viver quantas quiser.

Madrid. Barcelona. Granada. Sevilha. Poderia ser um pedaço da tabela do campeonato espanhol, mas são só algumas da cidade por onde ela passou, sozinha. Para aqueles que não acreditavam nela, olé!

Uma viagem de trem. O pensamento voando pra longe, como se fosse apenas um avião de papel que nunca quer tocar o solo. Próxima parada… Pra quê parar? Vamos seguir. O Google Maps aponta direções e quase não a deixa se perder. Quase. As vezes a gente se perde pra se encontrar. Ela se perdeu, por vez ou outra. Ela se encontrou, também, por vez ou outra.

Paz. As vezes, no mundo de fora, parece ser utópica demais, mas quando se fala de paz interior… Essa a gente acaba encontrando. As vezes só precisamos nos afastar para chegarmos mais perto.

Hotel. Mala na cama, aberta. Hora de arrumar a volta.

Mala pronta. Mais leve. Não a mala, mas ela.

Ela foi sozinha. Ela volta sozinha. Ela não poderia estar em melhor companhia.

Revista Passaporte

Uma revista colaborativa brasileira para todos que amam ler e escrever sobre viagens.

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Nickolas Ranullo

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"Não digam a minha mãe que sou jornalista, prefiro que continue acreditando que toco piano num bordel".

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