Brasileiros são a nacionalidade mais impedida de entrar em Portugal
Governo português aponta crises econômica e política no Brasil como causa de uma “pressão migratória”

Os brasileiros são a nacionalidade que lidera o ranking das “recusas de entrada” em Portugal, de acordo com o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo do governo português. O documento, divulgado nesta segunda, 24, mostra que 968 brasileiros foram barrados em 2016 ao tentarem entrar no país. Aumento de 91% em relação a 2015.
Para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, órgão responsável pelo controle de imigração em Portugal e pela elaboração do relatório, o crescimento no número está ligado a um “agravamento da pressão migratória em termos de imigração ilegal” causado pela “crise económica que se verifica no Brasil desde 2014, aliada à agudização da crise política e social ao longo de 2016”. Simplificando: para Portugal, a atual situação no Brasil faz os brasileiros quererem deixar o país de qualquer jeito, até de forma irregular.
O SEF não deixa claro em quais condições estavam essas pessoas, se queriam mesmo morar em Portugal, trabalhar, ou se vinham como turistas, mas aponta os principais motivos para a porta na cara: problemas para justificar a entrada, falta de visto, visto vencido ou indicações para a não admissão do imigrante no espaço Schengen, a área que permite livre circulação de viajantes entre alguns países da União Européia.
Mais liderança
Portugal tem mais de 397 mil estrangeiros que residem legalmente no país e no topo deste ranking também estão os brasileiros, são 81.251.

Os brasileiros também foram os que mais pediram nacionalidade portuguesa por casamento ou união de fato: 2.015 no ano passado.
Entre os estrangeiros que apresentaram alguma irregularidade na documentação, os brasileiros foram os que mais receberam notificações para deixarem Portugal voluntariamente em 2016: 1.871, 34% do total. Também foram os que mais sofreram processos de “afastamento coercitivo”, ou seja, foram obrigados a voltar para o Brasil.
Portugal como destino
2016 marcou a inversão de uma tendência. Desde 2010, o número de imigrantes morando legalmente em Portugal estava em queda. De acordo com o relatório, no ano passado houve um crescimento de 2,3% em relação a 2015. O país, aos poucos, volta a ser atrativo. Para o SEF, “a perceção de Portugal como país seguro, bem como as vantagens fiscais decorrentes do regime para o residente não habitual” assim como a “evolução legislativa ocorrida nos últimos anos (…) as relações históricas e culturais com outros países, os impactos da operacionalização de políticas de imigração, bem como os contextos económicos e sociais português e dos países de origem” são os fatores que estão recolocando Portugal na mira de quem deseja imigrar.
O relatório do SEF é divulgado anualmente e você encontra as edições completas disponíveis para download no site do órgão.

