O novo status

Do status tradicional baseado no consumo para novas formas de mostrar aptidão

A busca por reconhecimento e status é parte da natureza humana e se reflete diretamente nas escolhas e comportamentos dos consumidores, e por esse motivo está no cerne de todas as tendências de consumo. A necessidade de mostrar aptidão, visando a aceitação dos pares e a obtenção de conquistas em todas as esferas da vida, vem se manifestando de diferentes formas ao longo do processo evolutivo da nossa espécie. E no modelo de sociedade contemporâneo, esta característica se revela fortemente no consumismo.

Nesse ponto, quero deixar clara a minha visão sobre a importância do consumo como forma de expressão da liberdade, das escolhas e do estilo de vida de cada um. Porém, o consumismo puro e simples como meio para demonstração de capacidades e obtenção de reconhecimento, se mostra muitas vezes ineficiente e dispendioso em vários aspectos, além de provocar consequências psicológicas, ambientais e sociais desastrosas.

O movimento que vem ocorrendo e que vai deixando os seus sinais, parte do consumo ostensivo e exagerado para, gradativamente, dar lugar a outras formas de mostrar capacidades que são muitos mais naturais para o ser humano. Essas novas formas de “exibição” incluem, por exemplo, os conhecimentos e as habilidades adquiridas pelas pessoas, a capacidade de expressão através da linguagem em diferentes meios, a conexão e a colaboração com outras pessoas e organizações, as ações de generosidade e gentileza no dia a dia, o emprego da criatividade para tornar a vida mais fácil e bela, a valorização da ética e do caráter, a consciência ambiental, e por aí vai.

Todos esses comportamentos vão, aos poucos, permeando a vida das pessoas e começam a alterar a sua forma de ver e se perceber no mundo, influenciando assim as suas decisões sobre estilo de vida e consumo.

Essa mudança de comportamento pode trazer ganhos espetaculares e novas oportunidades em diferentes esferas da vida. Para algumas pessoas passa a haver um sentimento maior de liberdade e um aumento de consciência e significado nas escolhas, além da consequente economia de esforço, tempo e recursos no empenho quase permanente para obter a admiração de familiares, fortalecer amizades, atrair e manter parceiros sexuais e obter o tão desejado prestígio.

Para o planeta há um reflexo direto na preservação e recuperação dos recursos naturais, enquanto que na esfera social, com a valorização maior do que as pessoas são e de como podem fazer a diferença, começa a haver também a tendência de um equilíbrio maior na circulação da riqueza.

É interessante notar que esse movimento não afeta a todos da mesma forma e ao mesmo tempo, e que ainda assim é um processo influenciado pelo ego, mas vai na direção de gerar mais autenticidade, colaboração e satisfação para todos. Como disse no início, esse “jeito de agir” é parte da nossa biologia e eliminar o ego das decisões parece ainda bem distante, mas talvez sinalize para um estágio ainda mais a frente na nossa escala evolutiva. Quem sabe?

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