
Sonhos de Ontem
Num livro infantil
A cigarra que encara sorrindo
O luar encantado ao fundo
Visões de um mundo fantástico
Imaginado em noites insones
Da infância há muito vivida
Novos planetas, muitas descobertas
Emoção e aventura
E quem se importa?
Há impostos a pagar
Um horário a cumprir
Filhos sonhadores a criar
O cabelo que cai
A ruga que se aprofunda
O ressentimento que dói
O tempo que passou
Para os sonhos que já
Não devemos sonhar
Nos permitem apenas
A cobiça material
Do parecer-se melhor que os outros
Se dizemos não a isso
Nos chamam de loucos
Desajustados
Inaptos para a sociedade
E nós, crianças sonhadoras
Aceitamos resignados
Os desígnios desses adultos
Invisíveis