O Julgamento

Se me dizes que temes a morte
Dir-te-ei que falhaste em viver
Se tens grandes planos
E teu apego a eles é maior
Do que cada dia que já viveste
Então, amigo, teu medo
Se chama fracasso

E eu, que com tanta pressa
Me permito julgar
Vidas desconhecidas
Que tipo de fracassado serei?

Quais exemplos que nunca dei,
 — Que agora cobro de outros — 
Me autorizam a fazer crer
A ti e a qualquer outra pessoa
Que não há razão para o temor?

Descobre-se a máscara
À qual nos abraçamos enamorados
Alheios ao que chamam de propósito
Pois para nós, era a aparência
A busca e o fim

As verdades que minto convicto
E as mentiras que vendo peremptório
São a projeção da magnífica trapaça
Que se chama “vencer aos olhos da sociedade”

Minha grande farsa
Montada à beira do mar,
Que chegando a primeira pequenina onda
Fez ruir por inteiro, admita:
Era linda