vida com penas

Aprisionado em uma jaula, estou eu
Gaiola a chamam, e pássaro a mim
Dizem que sou bonito
Existo para comer, beber, cagar. Ser visto

É essa a linda vida não natural a mim destinada
Mas eu entendo meu papel, claramente

Eu sou o retrato das vidas de faz de conta
Eu sou a coisa externa vazia de conteúdo
Eu sou o silêncio incômodo
Eu sou o mundo de plástico
Feito para confortar todos que têm medo
Do desconhecido. De tentar. De se arriscar

Eu sou todo o valor que uma vida tem
E eu não valho nada
Eu sou o fracasso de uma geração de homens
Eu sou o egoísmo dos que se creem superiores

Eu represento todo o sublime engenho humano
Que molda (mata?) o mundo à sua vontade
Toda a presunção dos fracos
Que morrerão por sua própria inação

Sinceramente, pouco me importo
Somos todos experimentos do acaso
E o ciclo sempre se cumpre
Viver é isso e não há consciência
Depois que tudo se acaba

Represento a lembrança, apenas
É meu papel
Sintam a culpa por mim, portanto