Não vote em pessoas mais idiotas do que você.

Melhor, não pense que voto é a única maneira de exercício de democracia ou de fazer política.

Que nós vivemos em um país repleto de idiotas, verdadeiras neoplasias de condomínio de classe média/alta, todos nós já sabemos.

O problema maior é que em nosso país, um país que teve seu primeiro presidente eleito “democraticamente” em 1990 (isso mesmo! E que logo renunciou em 1992 com medo do processo de impeachment…), um país onde a democracia ainda é quase fetal de tão nova, ainda temos uma sociedade que pensa com a massa de suas fezes ao invés de pensar com a massa cerebral.

A nossa democracia é nova, mas já nasceu com progeria (envelhecimento precoce). Digo isso, pois ainda tentamos lidar com uma democracia representativa, indireta, que caduca na contemporaneidade de uma sociedade mundialmente conectada através da internet.

Quando você sair nas ruas para lutar pela democracia, saiba que ela significa um governo em que o POVO exerce a soberania e jamais um representante ou uma força armada — para isso damos o nome de ditadura.

Existe a democracia representativa, também conhecida como democracia indireta, é aquela onde a população “participa” através da eleição de representantes (deputados, senadores, vereadores…) que supostamente deveriam atuar em prol das ânsias e carências dos mesmos que os elegeram e, pasmem!, também existe a democracia direta, que é aquela onde o POVO pode, através de plebiscitos, referendos ou outros meios de consultas populares, decidir diretamente sobre assuntos políticos ou administrativos, seja de sua cidade, estado ou país, sem precisar depender de representantes.

Aposto que você não tinha pensado sobre este assunto, né! E tudo porque eu e VOCÊ somos uns idiotas que elegem idiotas e ainda acreditam em uma democracia representativa. Digo idiota no sentido etimológico da palavra, não no sentido que aplicamos hoje em dia.

Idiota, palavra que tem sua origem no grego e que significa alguém que só olha para o próprio umbigo, que vive em seu mundo privado e foda-se o resto da humanidade. O contrário da palavra política que, na Grécia antiga, significava alguém altruísta, preocupado com a vida pública e o coletivo.

Tremenda ironia, não?

Agora que você já sabe o significado das palavras idiota e política, não é difícil compreender que o Brasil desde o período colonial, passando pelo império, república, até os dias de hoje viveu e vive uma espécie de idiocracia.

Sempre foi a idiocracia que prevaleceu.

Logo, o mínimo que você pode fazer, torcendo para que seus filhos e netos não cuspam sobre seu túmulo no futuro, é não votar em pessoas mais idiotas do que você.

A democracia pode ser distorcida, violentada e extinguida pelos idiotas aos quais as pessoas (muitas, também, idiotas) dão poder — é certo, ninguém exerce poder sobre ninguém, somos nós, sempre nós, que optamos por dar poder a outrem –, mas jamais, se quisermos impedir que a idiotice nos contamine, devemos deixar de ser e pensarmos política.

Política não é cargo público e muito menos leis e finanças de um Estado qualquer. Política é viver em sociedade, entender que ocupamos um espaço coletivo e não individual. Que o meu mais ingênuo gesto pode prejudicar algo ou alguém. Quando você escolhe comprar uma roupa fabricada por uma produtora local e sustentável ao invés de comprar de alguma marca que utiliza trabalho escravo de crianças em algum canto esquecido do mundo, você está praticando a política em sua mais pura essência.

Sejamos menos idiotas e mais políticos (no sentido original das palavras!).