O que é ser agnóstico?

O agnosticismo me parece ser um termo frequentemente compreendido apenas de forma parcial, por isso vou expor aqui como entendo a posição daquele que se declara agnóstico.


Creio que será mais fácil se começar apontando aquilo que o agnosticismo não é: ele não é a posição de alguém que está indeciso, em cima do muro, ou mesmo de alguém cauteloso em afirmar algo sobre o qual não tem certeza. Não é uma espécie de “caminho do meio” entre o ateísmo e o teísmo. Da mesma forma, ele não pressupõe a existência de Deus ou entidade sobrenatural alguma para em seguida dizer que não temos como saber nada sobre essa entidade. O que o agnosticismo afirma é que não pode haver certeza acerca da natureza última das coisas no mundo, ou seja, ele é contrário a todo dogmatismo que tente descrever quaisquer aspectos da realidade como uma certeza indubitável e infalível. Se afirmo conhecer de forma inquestionável e infalível que a única explicação para o universo é Deus, estou sendo dogmático.

Da mesma forma, se afirmo que o universo pode ser completamente explicado pela ciência, qualificando como falso ou desprezível tudo o que não se enquadrar em seu método rigoroso, além de demonstrar grande desconhecimento sobre a natureza do conhecimento científico, também estou sendo dogmático. Assim, não é a natureza da justificação que se dá a uma afirmação que a torna dogmática, mas sim o ato de fazer de qualquer conhecimento ou crença, por melhor justificado que esteja, uma certeza infalível e indubitável. A posição agnóstica recusa-se a qualificar qualquer crença ou conhecimento acerca do mundo de forma dogmática.

Assim, no sentido acima exposto, o agnosticismo pouco tem a ver com o teísmo ou com o ateísmo, embora não seja incompatível com nenhum deles, exceto quando se manifestam de forma dogmática.

É possível ser agnóstico e mesmo assim possuir uma crença sem qualquer justificação objetiva (ter fé) de que Deus existe. O fato de não ser possível justificar uma afirmação não me impede de tomá-la por verdadeira, até porque em nosso cotidiano fazemos isso com uma frequência muito maior do que gostaríamos de admitir. Portanto, os que partilham da crença em Deus poderiam ser chamados de agnósticos teístas sem qualquer incoerência. Da mesma forma, pode-se crer que Deus não exista, que não passe de uma criação humana, não tendo qualquer existência independente do próprio homem, o que se pode chamar de postura agnóstica e ateísta.

De fato, muitos dos que se julgam simplesmente teístas, são também agnósticos, pois falam de sua crença em Deus não como uma afirmação dogmática mas sim como uma espécie de “aposta” de que ele exista ou uma aceitação de que tudo faz mais sentido se Deus existir, sendo esta portanto uma conclusão aceitável para eles, embora estejam cientes de que podem sim, estar errados. Adicionalmente, afirmam que não se pode justificar sua crença em Deus de forma alguma, nem filosófica, nem científica. Tais teístas são também agnósticos por saberem que suas crenças são passíveis de questionamentos e por afirmarem conscientemente que o único alicerce que possuem para sua crença em Deus é sua fé, que não serve como justificativa para ninguém além deles mesmos.