Homem Duplicado (2013) — Denis Villeneuve

Poderia ser, mas não foi por excesso de pretensão.


A adaptação da obra homônima do escritor português Saramago, tem altas pretensões. Adaptar Saramago já é uma grande pretensão. E foi o que se propôs Denis Villeneuve. Mas já temos o ditado que não erra em dizer que querer não é poder. Vielleneuve quis, mas não pôde. Na tentativa de contar a história de um professor universitário de História que se depara com um duplo seu — um ator de filmes B com suas características físicas todas -, o filme canadense busca o caminho do hermético, mas acaba caindo no esboço de uma obra cujo argumento principal não foi explorado. Um filme que poderia usar mais do humor numa história como essa, e que preferiu a via do discurso fechado numa estética lúgubre, sombria, o que, quase literalmente, tirou todo o possível brilho da película. Jake Gyllenhaal, ator que vive o protagonista da trama, se esforça em dar contornos melhores à psicologia de seu personagem, porém empaca em problemas que atravessam o filme durante toda a sessão: ritmo lento, montagem confusa, e um péssimo trabalho de figurino, além da mão pesada de Villeneuve na direção, o que tira toda a possibilidade de leveza da história.

Infelizmente o filme se perde nas vontades de voos altos e dá apenas um rasante bem rente ao chão, quase caindo, mas se que sustenta cambaleante até o fim da pista.

Enemy (2013)
País: Canadá/Espanha
Diretor: Denis Villeneuve
Roteirista: 
Nota: 3/5

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