Nem todo gênio vale a pena.

Um guia de como contratar antes, durante e depois da crise.

Cortes de verba. Escassez de trabalhos filés. Queda de motivação. Quem antes tinha tempo, agora faz questão de parecer ocupado. Quem costumava caminhar começa a andar rápido. De preferência batendo os pés. Sai o bom humor e entram as caras fechadas.

É bom que você, VP, diretor de criação, CCO ou detentor da próximo sigla a ser criada, tenha contratado pessoas ao invés de pastas. Nunca vi um bom trabalho segurar o clima de um lugar. Mas já vi climas leves gerarem bons trabalhos. Se nem Bebeto e Romário renderiam em um ambiente ruim, porque você acha que com as duplas da sua agência seria diferente?

Sem clima, só dá pra ser feliz no dia do pagamento. E isso é fácil. Difícil mesmo é manter todo mundo com tesão no resto do mês. Quando o ambiente pesa, quem manda é a lei do “saiu do meu email não é mais problema meu” e isso reflete no trabalho final.

Mesmo assim, alguns donos de agência não enxergam o clima como um ativo da empresa. Quem fica o dia todo trabalhando em uma sala fechada, falando sobre negócios e olhando só para os números dificilmente percebe a importância ao clima. Deixar um funcionário feliz no dia do pagamento é fácil. Difícil mesmo é manter esse sentimento durante os 30 dias entre um contracheque e outro.

Gênios que escondem seus trabalhos, divas que destratam o atendimento, mestres na arte de não dar bom dia, exímios criadores de panelinhas. Sou eu, e não os donos, sócios e diretores de criação quem vai conviver 8 horas por dia com eles.

Por isso, decidi fazer um guia de contratações para criar um bom ambiente de trabalho. Poderia ser um infográfico bacana? Poderia, mas sou redator e decidi que era melhor escrever.

Guia de contratação para antes, durante e depois da crise.

O candidato é ruim e filho da puta

Não contrate. Ele vai contaminar o ambiente.

O candidato é bom e filho da puta

Não contrate. É tipo aquele capeta das barraquinhas de Porto Seguro. Na hora parece uma grande ideia, mas vai acabar dando dor de cabeça.

O candidato é gênio e filho da puta

Pense bem. Ele pode ser filho da puta para sempre. Inclusive com você.

O candidato é ruim e tem caráter

O mais difícil ele já tem. Se você está disposto a ensinar, dar autonomia e deixar ele criar o seu próprio estilo, pode vale a pena.

O candidato é bom e tem caráter

Contrate. É raro encontrar alguém que tenha as duas qualidades.

O candidato é gênio e tem caráter

Contrate e pague bem. Se você não o fizer, a concorrência vai fazer.