entrevista do mês: Flávio Particelli
Fomentar a cultura de pensar em inovação não apenas como uma resposta pontual para um trabalho específico, mas como um um exercício que faça parte do cotidiano da agência: esse é um dos diferenciais da agência iris em São Paulo (antiga Router, que foi incorporada pela iris Worldwide em 2014).
Para nos contar mais sobre este processo, entrevistamos Flávio Particelli, redator sênior da agência. Entusiasta das tendências de consumo e em pensar em sugestões inovadoras para inspirar o clientes; é um dos criadores do TrendTech, ferramenta que materializa maneiras de aplicar novas formas de treinar o olhar para a inovação — trazendo novos formatos de aplicação de tendências e tecnologias na comunicação, com ações com integração entre online e offline.
Entre os cases mais recentes de sucesso da Iris está o comercial dos Lenços Umedecidos da Neve, que mostra, de forma criativa e inovadora, como tratar um tema tabu utilizando o bom humor e recursos estéticos mais sofisticados. A repercussão tem sido grande e, por ter sido feito apenas para o meio digital, Flávio conta que tiveram maior liberdade de criação.
Nessa entrevista, Flávio fala um pouco sobre como anda o mercado publicitário e a relação dos clientes com inovação e pesquisa:
1) Discute-se muito o fato de “a publicidade estar em crise”, com concorrências agressivas, jornadas de trabalho exaustivas e clientes mais exigentes com suas verbas disponíveis. Pelo que você tem visto, neste cenário os clientes tendem a investir mais em inovação ou ficar na zona de conforto do que já viram que obtém resultado? Por quê?
Pelo que tenho visto, a principal consequência da crise para a publicidade são os cortes de investimentos dos clientes, mesmo. De cancelamentos de projetos a uma administração mais conservadora do budget, tentando manter reservas para comprar as “brigas certas” ao longo do ano. Quanto à inovação, o que sinto é que é uma coisa de perfil do cliente, e que isso não muda — quem é mais aberto a pedir e comprar ideias disruptivas continua assim — ; só muda o arranjo e proporção da campanha de acordo com esse novo cenário.
2) O que você tem visto de mais inovador no seu segmento?
Como tecnologia, não só no meu segmento, eu citaria o uso de Realidade Virtual, Aumentada e Mista — isso, no mínimo, traz um jeito de contar histórias totalmente diferente e pode incrementar todo tipo de experiência. Promete.
3) Você pode nos contar um pouco mais do TrendTech?
O TrendTech é um processo da iris São Paulo para fomentar a cultura de inovação na agência. Basicamente, a cada 15 dias, reunimos o time todo para uma atividade de uma hora; que geralmente se enquadra em um dos quatro formatos:
- dinâmica de brainstorm em grupos, com um mesmo briefing rápido;
- discussão de atualidades com potencial para nosso negócio;
- palestras rápidas de gente da agência;
- palestras de convidados de fora.
4) Como isso influencia no processo criativo da agência e ajuda a destravar a pensar em ideias inovadoras para os clientes?
Além de obviamente treinar as pessoas para buscar novidades e apresentá-las para o público; a troca de ideias em um ambiente que busca a inovação deixa todo mundo alinhado em um mesmo mindset curioso e desafiador, o que faz com que a gente não se acomode facilmente na busca de soluções para os desafios do dia a dia.
5) Qual a relevância da pesquisa de consumo e comportamento para seus clientes? Eles investem nisso?
Até onde eu sei, valorizam mais do que investem dentro de casa. Acho que é um cenário como o que vi num estudo da Forrester*, que dizia que a maioria quer inovação mas poucos realmente estão fazendo algo a respeito (*estudo de 2013 que mostrava que, apesar de 95% dos clientes acreditarem estar recebendo um bom ROI de seus programas de inovação; apenas 11% separavam parte de seu orçamento para investir em práticas inovadoras).

“A inovação acaba sendo uma coisa de perfil do cliente: quem é mais aberto a pedir e comprar ideias disruptivas continua assim — o que muda é o arranjo e a proporção da campanha de acordo com esse novo cenário.”
6) Em relação a tendências de consumo, os clientes gostam de saber e investir? Ou ainda apresentam resistência? Por quê?
Os clientes gostam e cobram isso da agência. As únicas resistências são na hora de realmente fazer algo a respeito: 1. O estudo deve ser local para passar segurança de que é relevante no Brasil. 2. Tem que ter números, resultados concretos para convencer todos os departamentos a investir.
7) Qual tendência(s) você acha que estão mais fortes no momento no Brasil? Seus clientes estão fazendo algum movimento em relação a isso?
Acho que o investimento em produção de conteúdo, principalmente em vídeo — nossa demanda vem aumentando consideravelmente nesse sentido.
*Sobre Pesquiseria Entrevista: todo mês, entrevistamos alguém de destaque no mercado — profissionais de comportamento, estudiosos de humanidades em geral e pessoas ligadas a temas em evidência no período; com foco em pesquisa, tendências e inovação.