7 descobertas da ciência que aconteceram por acaso

O micro-ondas surgiu após uma barra de chocolate derreter acidentalmente em um bolso. Já o pneu só existe porque um pedaço de borracha foi exposto sem querer ao calor, e o velcro só foi possível após pequenas plantas grudarem na roupa de alguém que decidiu sair para caçar. “Os acasos são tão frequentes que mudam a história de um jogo, de um campeonato e das nossas vidas”, costuma dizer o médico, escritor e ex-jogador da seleção Tostão, campeão mundial em 1970 ao lado de Pelé. Como no futebol, em que jogadas imprevisíveis podem alterar o placar, algumas das grandes invenções da humanidade também foram casuais, quase por sorte. Listamos algumas delas:
Ilustração de um dos primeiros aparelhos de raio-X

1. UMA PEQUENA VIAGEM RADIOATIVA

Em 1895, o físico alemão Wilhelm Röntgen cobriu com papel preto um tubo de vidro onde eram realizados experimentos com corrente elétrica e observou uma fluorescência sobre uma tela que estava do outro lado da sala. Para ele, uma radiação desconhecida havia viajado pelo ambiente, causando o brilho. Essa radiação, como notou depois, atravessava livros, metais e até partes do corpo. Assim, testou a radiação na mão de sua mulher usando uma chapa fotográfica e produziu a primeira imagem de raio-X da história. Pela descoberta, o cientista recebeu o primeiro Nobel de Física, em 1901.

2. ELE SÓ QUERIA OUVIR O SOM DO CORAÇÃO

A ideia inicial de Wilson Greatbatch, professor assistente de engenharia elétrica de uma universidade nos Estados Unidos, era criar um aparelho que gravasse o som das batidas do coração. Por engano, ao encaixar um resistor de tamanho maior no experimento, inventou um equipamento que emitia pulsos elétricos intermitentes, mimetizando o coração. Estava criado, em 1958, o marca-passo. Dois anos depois, o dispositivo foi parar no peito de um paciente e, até hoje, é um grande aliado das pessoas com problemas cardíacos.

3. UM CHOCOLATE DERRETIDO MUDOU A FORMA DE COZINHAR

Ao se dar conta de que uma barra de chocolate havia derretido em seu bolso, Percy Spencer, então gerente de uma empresa de equipamentos de uso militar nos Estados Unidos, descobriu, em 1946, a lógica do micro-ondas. O doce amolecera porque Spencer ficou parado próximo a um magnetron, dispositivo usado no desenvolvimento de radares. As ondas eletromagnéticas de alta frequência fizeram as moléculas do doce vibrar e gerar calor por dentro.

4. A SORTE DE UM INVENTOR DESASTRADO

O inventor Charles Goodyear não era exatamente um “mão de alface”, mas, graças a um deslize, ele entrou para a história. Em 1839, quando fazia experimentos com enxofre, deixou um pedaço de borracha cair sobre um fogão escaldante. Ao limpar o local onde o material havia caído, Goodyear percebeu que, em vez de derreter, a borracha tinha ficado chamuscada como couro e parte dela estava ressecada. O segredo, percebeu, estava em acrescentar calor em sua fórmula para fabricar um produto impermeável e resistente às variações climáticas. Estava criada a borracha vulcanizada, que conquistou os fabricantes de pneus.

5. UM PASSEIO GRUDENTO

Em 1941, o engenheiro suíço George de Mestral saiu para caçar e notou que sua calça estava coberta por carrapichos de uma planta. Curioso, colocou o vegetal no microscópio e percebeu milhares de minúsculos ganchos que, eficientemente, agarravam em qualquer tecido. A técnica poderia ser utilizada em tecidos sintéticos, pensou, exercendo as mesmas funções dos botões e dos zíperes. Surgia, assim, o velcro, cujo nome é uma combinação das palavras “velvet” (veludo) e “crochet” (crochê).

À esquerda, as garras de um carrapicho semelhante ao que George viu em seu microscópio. À direita, o detalhe de um velcro

6. TIRANDO O PÓ DO EQUIPAMENTO

O químico norte-americano Roy Plunkett usava um cilindro durante uma pesquisa com fluidos refrigerantes, em 1938, quando o fluxo de gás emperrou dentro do equipamento. Para identificar o problema, desmontou o cilindro e encontrou dentro dele um pó branco. Era o politetrafluoretileno, que ganharia o nome comercial de teflon. O material, considerado o menos aderente que existe na Terra, seria usado depois nas indústrias aeroespacial, de comunicações e, para a bênção dos cozinheiros, nas panelas.

7. SALVANDO UMA GOROROBA

Em uma tentativa frustrada de fazer cereal para pacientes de um hospital de Michigan, nos Estados Unidos, Will Keith Kellogg e seu irmão John Harvey Kellogg deixaram um pote de trigo cozinhando durante uma noite inteira de 1898. No dia seguinte, amassaram o trigo e perceberam que flocos tinham se formado. Deixaram secar e os serviram. Mais tarde, descobriram que o invento ficava mais saboroso se feito de milho. O sucesso foi tanto que ex-pacientes começaram a pedir o produto pelos correios, e os irmãos decidiram, então, abrir uma empresa para vender cereais matinais.