Alquimistas do petróleo: saiba como a ciência nos ajuda na produção de asfalto

O que acontece se colocarmos um frasco de álcool etílico, aquele que usamos para limpeza em casa, no congelador? A resposta é: nada. O álcool irá continuar no estado líquido, já que precisa de aproximadamente 114ºC negativos para ser congelado no nível do mar, uma temperatura que os equipamentos de uso doméstico não são capazes de alcançar.

Isso acontece por que cada substância reage de uma forma específica às diferentes pressões e temperaturas, transitando entre os estados sólido, líquido e gasoso.

Quando lidamos em nossas refinarias com produtos como o cimento asfáltico de petróleo, conhecer os pontos de fusão e solidificação é fundamental para o armazenamento e comercialização do derivado: ele precisa ser mantido constantemente no estado líquido, em uma temperatura entre 120 e 160°C.

Para impedir que ele fique sólido, usamos tanques especiais com um sistema de aquecimento de serpentinas instaladas nas bases. Por essas serpentinas, que se assemelham a mangueiras, corre água quente, o que ajuda a manter a alta temperatura do asfalto. Bem semelhante ao que é utilizado no aquecimento de pisos de casas em regiões com inverno rigoroso.

Mas e quando esse sistema falha? Precisamos revisitar nosso conhecimento e encontrar uma nova solução para manter o produto em estado líquido. Foi o que nossos empregados da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos/SP, fizeram. Uma solução caseira, mas eficaz. Graças a essa criação, conseguimos diluir o asfalto que se solidificou dentro do tanque, sem perda de produto, com menor custo em comparação às soluções de empresas do mercado e, principalmente, com segurança.

O projeto é pioneiro na indústria. Ele consiste em inserir, por içamento, uma única serpentina pelo teto do tanque e descê-la até a base. Aos poucos, o asfalto vai sendo aquecido até voltar gradativamente ao estado líquido, podendo então ser escoado para outro tanque com sistema de aquecimento e reaproveitado.

Sabe quem mais manipulava os estados físicos de substâncias na tentativa de obter outras? Os alquimistas, famosos na Idade Média por tentar descobrir um elixir da imortalidade. Se a criação da Pedra Filosofal, que serviria de base para esse elixir, é apenas lenda e enredo de histórias mágicas no cinema, por outro lado a curiosidade de alquimistas como o francês Nicolas Flamel deu origem à química moderna.

Durante a jornada pelo conhecimento para prolongar eternamente a vida, esses precursores dos cientistas modernos fizeram descobertas de procedimento que são utilizados até hoje, como a destilação, o banho-maria, a trituração e até a sublimação — transição direta entre os estados sólido e gasoso, que falamos ali em cima.

Além disso, ao buscar o conhecimento e imbuídos de um espírito curioso e investigador, os alquimistas também nos deixaram de legado criações como a pólvora, o ácido clorídrico e o fósforo.

Quando usamos um palito de fósforo para acender uma vela de bolo e cantar parabéns, devemos isso a esses estudiosos.