Como a indústria de óleo e gás está investindo em tecnologia para reduzir emissões

Nós nos tornamos membro da Oil and Gas Climate Initiative (OGCI). A iniciativa reúne dez operadoras mundiais de óleo e gás que, juntas, representam mais de 25% da produção global. O objetivo principal da OGCI, liderada por presidentes da BP, Petrobras, CNPC, Eni, Pemex, Repsol, Saudi Aramco, Shell, Statoil e Total, é conduzir uma resposta do setor às mudanças climáticas, por meio da redução das emissões de gases de efeito estufa. O investimento previsto para apoiar o desenvolvimento, implantação e ampliação de tecnologias de baixas emissões é de US$ 1 bilhão para os próximos dez anos.

Conversamos com Oscar Chamberlain, gerente geral do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Petrobras (Cenpes) e um de nossos representantes na OGCI, para saber mais sobre alguns projetos já financiados pela iniciativa global.

Como você vê a nossa adesão a essa iniciativa para gerar energia de forma mais eficiente e com menos emissões?

Oscar Chamberlain: Vamos ter uma oportunidade ímpar de poder compartilhar conhecimentos, tecnologias e desenvolvê-las. Vamos juntar, com nossos parceiros, esforços tecnológicos e financeiros para obter soluções de produção de óleo e gás no refino ou na aplicação dos nossos produtos para reduzir a emissão de CO2, a emissão de efeito estufa.

A inovação não ficará somente no âmbito da pesquisa e estudo. Haverá aplicação na vida prática, certo?

Oscar Chamberlain: Sim. Um diferencial, quando a gente vê todo o ciclo de pesquisa, desenvolvimento e inovação, é que nesse consórcio, além de discutir políticas de redução de emissões, posicionamento claro da nossa postura de sustentabilidade, vamos também poder completar um ciclo da cadeia de inovação, que é a aplicação de recursos em startups, empresas que estão trazendo outras tecnologias fora desse circuito só nosso, onde essas tecnologias vão contribuir com uma solução mais rápida e de mais fácil implementação para reduzir as emissões de efeito estufa.

Promover mudanças nos países e na sociedade, com esses recursos, para alavancar iniciativas para uma matriz de baixo carbono

Há pré-requisitos para a escolha das startups?

Oscar Chamberlain: Existe um sistema de governança para a escolha das startups. Há processos públicos internacionais… em breve, haverá o Technical Day ou Venture Day, promovido pela OGCI, para escolher proposta de redução de emissões em operações com gás. Estão sendo ofertados US$ 20 milhões para qualquer empresa levar sua ideia, propor uma tecnologia, que será selecionada por nós, integrantes da OGCI, além de técnicos. Não serão avaliadas só as ideias dos inscritos, mas também avaliaremos um plano de negócio. O ponto de partida estratégico tem que ser algo que vá contribuir com a redução de emissões, seja por eficiência ou por um novo processo. Depois é analisado o próprio plano de negócios da unidade e que precisa ser rentável. O fundo de investimentos da OGCI tem entre seus direcionadores que todos os projetos têm que ter no conjunto da carteira acima de 10% de rentabilidade.

Oscar Chamberlain, representante da Petrobras na Oil and Gas Climate Initiative
Projetos para redução na emissão CO2: produção maior de cimento e material acústico = atmosfera mais limpa

Pode citar os projetos já financiados pela OGCI?

Oscar Chamberlain: Hoje a OGCI tem quatro startups escolhidas em diferentes áreas. Uma delas já faz a conversão de CO2 em poliol, matéria-prima dos poliuretanos (usados para fabricação de colchões, esponjas, revestimento acústico, entre outros produtos).

Outra empresa — de produção de cimento e concreto — tem uma tecnologia patenteada que permite a produção de cimento de forma a gerar menos emissões, pois o CO2 é usado no lugar da água. Essa produção, conhecida como seca, demonstra como o dióxido de carbono (CO2) pode ser reutilizado com sucesso. O produto já existe, mas o objetivo de nosso investimento é produzir em escala de mercado.

O terceiro exemplo abrange a questão da mobilidade. Sabemos que, nos veículos a gasolina ou a diesel, a eficiência gira em torno de uns 30 a 25% de eficiência nos motores. Um desses projetos contemplados trabalha com o desenvolvimento de uma tecnologia chamada de “pistões opostos”, em que se consegue melhorar a eficiência energética e, com isso, a cada quilômetro rodado, reduzir bastante as emissões de gases de efeito estufa.

O quarto projeto financiado busca reduzir as emissões em termoelétricas, por meio de uma tecnologia que injeta o CO2 gerado no processo de produção de energia no subsolo.

Like what you read? Give Petrobras a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.