Dos laboratórios para as pistas: a jornada por trás do novo carro da McLaren

Desenvolver um novo carro de Fórmula 1 é sempre um desafio e tanto para a equipe de uma escuderia. Segurança, alta performance e beleza são primordiais para o sucesso do trabalho de designers, engenheiros e do pessoal de fabricação do carro.

Para esta temporada, o MCL34, novo carro da McLaren, começou a ser elaborado no primeiro trimestre do ano anterior. E por que tanto tempo? Porque há vários processos a serem feitos para a construção de um novo carro e um dos mais críticos é o monocoque.

Monocoque

O monocoque é a célula de sobrevivência de fibra de carbono que abriga o motorista, o tanque de combustível e a bateria que armazena a energia recuperada do motor. Sua construção é o primeiro passo na fabricação de qualquer carro na Fórmula 1.

Esse componente supercomplexo e caro — a McLaren constrói apenas quatro por temporada — é um dos maiores projetos do ano para o departamento responsável.

Segundo Gerry Higgins, Chefe de Fabricação da McLaren, “cerca de um mês antes de começarmos a produção do primeiro monocoque, recebemos os primeiros desenhos detalhados do escritório de projetos e realizamos uma reunião de lançamento do projeto. Nessa reunião, analisamos o programa do ano anterior, discutimos o que aprendemos, o que não funcionou tão bem como gostaríamos; o que devemos evitar e como podemos melhorar”.

Construir um monocoque não é simplesmente um trabalho que envolve aplicar meticulosamente camadas de fibra de carbono em um molde (embora esse processo ocupe a maior parte do trabalho), mas também de entender como otimizar o ferramental, o processo de laminação e a usinagem necessária, entre outros processos.

Um trabalho tão grande e complexo é repleto de dificuldades. E, para Higgins e sua equipe, errar simplesmente não é uma opção — porque isso causaria imensos problemas práticos e logísticos em uma parte crítica do programa de construção na pré-temporada.

“O nível de complexidade envolvido na construção de um monocoque geralmente aumenta de um ano para o outro. Muito disso deriva de tentar reduzir peso e aumentar resistência. Então, estamos aprendendo o tempo todo. Há muita interação entre os laminadores e os projetistas durante o período inicial de construção, à medida que aprendemos a fazer com que tudo encaixe suavemente no módulo inicial”, explica Higgins.


Você sabia? A McLaren foi a primeira escuderia a usar um monocoque feito de fibra de carbono. Naquela época, os carros eram construídos a partir de placas de alumínio. A inovação deixou os carros mais leves, rápidos e criou um novo padrão para carros de Fórmula 1.

O novo design

O design da customização deste ano começou em julho do ano passado, antes mesmo do Grande Prêmio da Inglaterra. Ele remontou às raízes da equipe, inspirando-se diretamente no icônico esquema de cor papaia que a McLaren utilizou pela primeira vez na Fórmula 1, em 1968. Este ano foram incluídos ainda mais detalhes em azul. O padrão em azul Vega é uma representação gráfica do propósito da marca, "Fearlessly Forward" (Corajosamente Adiante) e da busca constante por progresso e aprimoramento. Um aceno ao passado, com um foco firme no futuro.

“Trabalhando em parceria com o departamento de aerodinâmica e a oficina de pintura, a equipe criativa da marca estabeleceu a tela e o meio com os quais teve que trabalhar. O design da customização do MCL34 foi parte de um esforço constante para garantir desempenho, mas é claro que também pode ser considerado um trabalho criativo”, afirma a Diretora de Marca do Grupo, Louise McEwen.

Aerodinâmica

O ano de 2019 tem um novo pacote de regulação aerodinâmica que terá um impacto significativo no design e no desempenho nesta temporada.

Mais evidentes serão as asas dianteira e traseira mais largas, mais altas e simplificadas cujo objetivo é ajudar os pilotos que estão atrás a acompanhar mais de perto o carro à frente deles — e, assim, aumentar a possibilidade de ultrapassagem.