Elas congelam o tempo: o caminho das máquinas fotográficas

Ninguém sorria nas fotografias clicadas no século 19. O momento de seriedade tinha, no fundo, um fator técnico importante: o riso era vetado porque as primeiras máquinas eram mais limitadas e exigiam que as fotos tivessem um tempo mais longo de exposição. Nos experimentos do inventor francês Nicéphore Niépce, por exemplo, que foi responsável pela primeira fotografia permanente da natureza, em 1826, eram necessárias oito horas de exposição. O processo desenvolvido pelo também francês Louis Daguerre, pai do daguerreótipo, levava de 20 a 30 minutos. Um sorriso, portanto, deixaria um rosto desfocado como um borrão.

A arte de se desenhar com a luz — o termo fotografia vem do grego photos (luz) e graphein (desenhar) — foi usado pela primeira vez em 1830 e se desenvolveu até chegar à popularização massiva das câmeras digitais dos smartphones.

Estrutura principal de uma câmera para captação de imagens

Tudo partiu da descoberta, ainda na Antiguidade, de que a luz poderia passar por um furo minúsculo e projetar, de forma invertida, no interior de uma caixa toda fechada, a imagem externa. A explicação para esse princípio, chamado de câmera obscura, está na física: os raios de luz que saem dos objetos são propagados em linha reta. Por isso, o feixe que sai da parte de baixo de um objeto passa pelo buraco e atinge a parte de cima do interior da caixa escura. Já os raios de luz da parte superior são projetados na parte inferior do fundo da câmera.

Esse mesmo fenômeno acontece no olho humano: a luz que atravessa a córnea e o cristalino projeta a imagem exterior invertida na retina, mas o cérebro a interpreta na posição correta. A ideia da câmera obscura está contida nas máquinas fotográficas atuais, só que com uma lente no lugar do furo e um papel fotossensível (ou um sensor eletrônico, nas mais modernas) no fundo da caixa, para gravar as imagens.

A lente, portanto, é o elemento mais importante da máquina fotográfica, um instrumento óptico de projeção. Os raios de luz dos objetos que chegam até ela convergem para um único ponto e, após atravessá-la, projetam a imagem de fora, invertida e menor, no fundo da câmera, onde está o filme ou sensor. Apenas com o desenvolvimento das lentes (muitas delas possuem um jogo interno de lentes) foi possível registrar as imagens com foco e maior nitidez.

Nos últimos séculos, apoiado no princípio da câmera obscura, o processo foi do já citado daguerreótipo, a primeira câmera feita em escala comercial em meados do século 19, passando pelas polaroides que imprimiam as fotografias na hora, e por uma invenção, em 1975, do então jovem engenheiro da Eastman Kodak, Steven Sasson, que criou a fotografia digital usando uma fita cassete para registrar imagens em preto e branco. Ele levou 23 segundos para capturar a primeira imagem, talvez o tempo que se leva hoje para tirar uma foto e subir nas redes sociais para o resto do mundo ver.


Veja abaixo como você pode aplicar esse conhecimento na produção de uma câmera na sua própria casa: