Elevador: a cabine que move milhões de pessoas

Quais são os meios de transporte que você mais usa no dia a dia? Colocou o elevador nesta lista? Deveria, pois esta “cabine que voa” é um dos principais veículos utilizados nas grandes cidades, movendo milhões de pessoas — além de cargas — diariamente.

Alguns são tão rápidos que impressionam. No edifício Taipei 101, em Taiwan, na China, uma placa registra um recorde, atestado pelo Guinness: está ali o elevador mais veloz do mundo. Para percorrer os 101 andares do prédio (por isso o número no nome), com seus 509 metros de altura, leva-se apenas 26 segundos.

A cabine pode chegar a 60 quilômetros por hora, e muita gente diz que a experiência de usar essa máquina causa “frio na barriga”, de tão rápida a viagem. O elevador possui até um sistema para ajustar a pressão interna e não causar incômodo nos ouvidos dos “passageiros”.

A veloz estrutura chinesa descende de um esforço que começou ainda no Império Romano, quando surgiram as primeiras plataformas içadas verticalmente. No século 18, o rei Luís XV usava um “elevador” no Palácio de Versalhes, para subir de um andar a outro. Era ativado por homens que puxavam uma corda e acabou ganhando o apelido de “cadeira voadora”.

Mas foi apenas no século 19 que a tecnologia começou a avançar. Em 1823, os arquitetos britânicos Burton e Hormer desenvolveram um “quarto ascendente”, uma máquina a vapor para levar turistas ao alto de uma torre com vista para Londres.

Alguns elevadores passaram a usar sistemas hidráulicos, utilizando a força da água para subir e descer as plataformas. Só em 1887 surgiria o primeiro movido a eletricidade, patenteado por Alexander Miles. A lógica dos elevadores não mudou muito desde o seu início: ela se baseia no princípio da gangorra.

Quando uma pessoa entra no elevador e aperta o botão para acessar algum andar, a 2ª Lei de Newton entra em ação, como mostra o infográfico abaixo. Assim que o elevador começa a subir, duas forças passam a atuar: a Peso, exercida pelo campo gravitacional, e a Normal, reação que a superfície causa em um corpo que está em contato com ela. Enquanto sobe os andares em aceleração, a força Normal fica maior que a Peso e, por isso, temos a sensação de que estamos sendo “comprimidos” pelo chão.

Um dos maiores desafios durante a jornada de evolução do elevador foi criar um sistema de segurança que funcionasse caso os cabos se rompessem. Em 1852, o norte-americano Elisha Otis inventou algo que tornaria possíveis os arranha-céus: criou um freio que travaria o elevador caso ele despencasse. Por isso, Otis é reconhecido como o pai do elevador moderno. Ele criaria a própria empresa, responsável por instalar o primeiro elevador num prédio de Nova York, em 1874.

Hoje, é praticamente impossível que uma cabine caia, devido à quantidade de travas e cabos que a seguram. Se mesmo assim houver uma queda, um sistema de absorção, com molas no fundo dos poços, reduzirá a chance de acidentes graves.

A mais recente transformação ocorrida neste meio de locomoção se chama Multi e foi desenvolvida na Alemanha. Como não possui cabos, o elevador do futuro, como é chamado, também se movimenta na horizontal.

E como ele funciona? São diversas cabines que percorrem os andares em um sistema de carrossel, semelhante ao metrô. O Multi transita em uma espécie de trilho formado por inúmeros motores. Em cada andar, um dispositivo permite que o aparelho mude de direção, seguindo pela horizontal.

Os testes com o Multi começaram em junho do ano passado. Uma torre de 246 metros de altura, na cidade alemã de Rottweil, foi especialmente projetada para servir de base para as avaliações. Sua operação comercial, no entanto, deve começar em 2020, em Berlim.