Engenharia é "coisa de menina"? É sim!

Frequentemente, nos deparamos com o seguinte estereótipo: "engenharia é uma profissão para homens". De acordo com uma pesquisa da UNESCO, divulgada em maio deste ano, 90% das meninas entre seis e dez anos de idade entrevistadas em São Paulo, Cidade do México e Buenos Aires têm essa percepção.

No entanto, aqui na Petrobras, 1.350 engenheiras estão espalhadas em diversas áreas da companhia. Atuam na engenharia civil, de equipamentos, de produção, de processamento e de segurança, respondendo com competência aos desafios da profissão. Conheça o ponto de vista de algumas dessas profissionais que, diariamente, nos ajudam a desconstruir essa ideia — e a comprovar que capacidade técnica, dedicação e competência não têm gênero.

Patrícia, há oito anos conosco, é filha de pai matemático e sua jornada pelas ciências exatas teve início de forma natural. Ela relembra:

“Lá em casa, em Natal (RN), os números estavam sempre em cena nas nossas vidas. Fui acostumada a resolver problemas matemáticos desde pequena, assim como meus irmãos”

Sua vivência no exterior — estudou por um ano na Suécia — colaborou para que ela tivesse contato com uma realidade diferente. "Lá, meninos e meninas têm orientações iguais com relação às profissões", afirma. "Esse conceito de que engenharia é 'para homens' vem da nossa cultura machista. Eu considero que essa carreira tem muito de estratégia, pois prepara as pessoas para serem gestoras."

Hoje, ela é engenheira de processamento e, após ter trabalhado por seis anos no interior do Rio Grande do Norte, coordena a gerência de melhoria nos Ativos de Energia, que faz a gestão dos projetos de investimento e do aperfeiçoamento das nossas 19 Usinas Termelétricas (UTEs).

“Nunca um engenheiro e uma engenheira são exatamente iguais. Na área industrial, a maioria é de homens. Quando a mulher lidera, ela é alvo de duras críticas, mas tem que manter foco na ética, estudar muito bem os problemas, porque a profissão é muito democrática”, completa.

Melhorias que vieram à custa de bastante luta

Glenda Rangel Rodrigues chegou à Refinaria de Duque de Caxias (REDUC) há cerca de décadas, época em que o tratamento dado às mulheres no ambiente de trabalho necessitava urgentemente de mudanças. Ainda que houvesse engenheiras tanto em cargos operacionais quanto em posições de liderança, algumas necessidades básicas estavam longe de ser supridas.

Além disso, "não havia bota disponível no tamanho 35; o uniforme precisava ser ajustado. Hoje há uniformes com modelagem feminina, mas na época tínhamos que adaptar”, conta.

Atualmente, Glenda faz parte de um seleto grupo de 29 “consultores master” — nível mais elevado da carreira de consultoria da companhia — e atua na gerência de Energia e Utilidades da Industrial, ao lado de uma equipe repleta de mulheres engenheiras. “Profissão não tem gênero. A carreira nas ciências exatas é para quem gosta e depende mesmo é da vontade de cada um", argumenta.

No que diz respeito ao assunto gravidez, Glenda compartilha a seguinte percepção em relação ao tratamento recebido nas gerências por que passou:

Eu fiquei grávida por duas vezes enquanto trabalhava na refinaria. É um desafio, você grávida ou com filho pequeno, ter que acordar muito cedo, ir para um local distante. De qualquer forma, sempre senti por parte da companhia uma conduta de respeito ao funcionário”

Muito a comemorar, mas também muito a realizar

Sabemos que ainda há trabalho a ser feito para chegarmos ao ponto ideal no que diz respeito à igualdade entre homens e mulheres no ambiente de trabalho, mas estamos avançando. Prova disso é a conquista, em cinco edições do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, do selo de empresa que atua com esse objetivo. Em 10 anos, registramos aumento no número de mulheres nos cargos de engenheira de telecomunicações e de engenheira de produção e comemoramos o percentual de 38% de participação feminina nos cargos ligados à engenharia ambiental. Nosso objetivo é continuar a dar espaço para que mais Patrícias, Glendas e Mylenes possam realizar seu potencial dentro da companhia.