Lugar de mulher: conheça a Fernanda, nossa analista de petróleo

O mês de março marca as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher. Ao longo deste período, vamos conhecer as jornadas de quatro profissionais de áreas do conhecimento ligadas ao STEM. A sigla, em inglês, traduz carreiras relacionadas a Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, historicamente marcadas pela predominância de homens.

O mundo está em constante movimento — e entendemos a necessidade de transformar e nos adaptar a essa nova realidade, onde a mulher é, também, protagonista de jornadas incríveis. A analista de petróleo Fernanda Felix Trindade é uma inspiração para outras mulheres ingressarem no fantástico mundo da ciência. Confira o que ela tem a dizer:

“Eu sei que, nesse tipo de depoimento, é comum as pessoas começarem dizendo: 'eu sempre quis ser [coloque aqui sua profissão]'. Na época do vestibular, a química era meu plano B. Eu queria estudar eletrônica, mas não passei. Sempre me senti mais atraída pelo 'M' (matemática) do que pelo 'S' (ciência).”

Depois de tentar outros cursos, Fernanda vislumbrou um futuro trabalhando na Petrobras, transformando o plano B em plano A.

“Percebi que a ideia de entrar numa empresa e começar a trilhar o caminho para a independência financeira era algo importante para mim. Foi só nessa época, à medida que meu contato com a química foi se tornando mais intenso, no dia-a-dia do laboratório, que entrei num relacionamento sério com ela”, afirma.

Os olhos de Fernanda, que trabalha há 17 anos com análise de petróleo no Cenpes, nosso Centro de Pesquisas, brilham ao comentar sua trajetória e o trabalho no laboratório: “Tenho muito orgulho de minhas conquistas profissionais e do espaço que conquistei enquanto mulher. E, se é importante ainda ressaltar esse enquanto mulher, é porque, a despeito de todas as conquistas das últimas décadas, dos direitos que garantiram um tratamento mais igualitário para mulheres e homens no mundo do trabalho, ainda temos muito para avançar”.

A analista ressalta que a desigualdade está presente nos aspectos culturais e se manifesta em pequenos gestos, hábitos e regras não escritas que fazem com que, ainda hoje, a mulher seja vista com desconfiança na hora de ocupar uma posição de liderança.

“Às vezes, parece que os homens se esquecem do privilégio que têm ao poderem se dedicar exclusivamente ao trabalho. Esquecem de refletir que isso muitas vezes só acontece porque existe uma mulher cuidando das coisas para que ele possa se concentrar. A dupla jornada é uma realidade para a maioria das mulheres. E a gente não pode simplesmente continuar assumindo isso como natural para relegar as mulheres ao segundo plano no mundo do trabalho. Queremos ser profissionais e mães. Queremos trabalhar e cuidar das pessoas que amamos. E não queremos que isso coloque em dúvida nossa competência, nossa capacidade de realizar e liderar.
"Minha filha está hoje seguindo meus passos profissionais, assim como segui os da minha irmã. Em breve, teremos mais uma química na família. Isso me faz pensar em como ter uma referência é importante para aumentar a participação das mulheres nesse universo. Fico feliz por tê-la inspirado dessa forma. E tudo que eu quero, é que ela possa ir ainda mais longe do que fui”

Fernanda é otimista e acredita que o futuro é feminino. “Minha filha é mais feminista que eu — como eu fui mais que minha mãe e, minha mãe, mais que minha vó. E quando falo em feminismo, falo dessa luta por direitos iguais. Só isso. Esqueçam os estereótipos. A gente não precisa ter medo disso. Vai ser melhor pra todo mundo”, finaliza.