Lugar de mulher: conheça a jornada da engenheira Joelma Mota

Foto: André Ribeiro

O mês de março marca as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher. Ao longo deste período, vamos conhecer as jornadas de quatro profissionais de áreas do conhecimento ligadas ao STEM. A sigla, em inglês, traduz carreiras relacionadas a Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, historicamente marcadas pela predominância de homens. Em um mundo em constante movimento, estamos atentos à necessidade de transformar essa realidade e a nossa engenheira de equipamentos Joelma Mota, gerente de infraestrutura da área Industrial, é um exemplo que serve de inspiração para outras mulheres que podem transformar essa dinâmica.

Conheça a história da Joelma:

“Desde criança, sempre gostei muito de ciências e de matemática. Fiz escola técnica de química, sempre gostei de laboratório, então escolher cursar uma engenharia foi algo natural para mim. Ao longo da vida escolar e acadêmica, tanto na escola técnica quanto na Universidade, muitos professores e professoras serviram de inspiração para mim nessa jornada.
Ainda mais cedo, na cidade em que fui criada — São Fidélis, no interior do estado do Rio — tive uma excelente professora de ciências no ensino fundamental. Era tão boa que não seria exagero dizer que o incentivo dela mudou a minha vida. Eu a encontrei por acaso no ano passado, tomei coragem e disse 'você não vai me reconhecer, mas eu fui sua aluna e hoje sou engenheira da Petrobras por sua causa'. Ela me respondeu: 'claro que te reconheço, Joelma'. Ficamos emocionadas na mesma hora.”

Joelma chegou a pensar em cursar Engenharia Química mas preferiu optar entre uma das engenharias disponíveis na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), na sua região. Ela começou no curso de Engenharia do Petróleo, mas, já no final do primeiro ano de faculdade, decidiu mudar para Engenharia Metalúrgica. Por ironia do destino, acabou indo trabalhar na indústria de petróleo. Joelma conta que, ao ingressar na Petrobras, em sua turma de curso de formação em Inspeção de Equipamentos, Engenharia Metalúrgica haviam apenas duas mulheres e que até hoje é comum participar de reuniões, congressos ou palestras — como público ou palestrante — e ser a única mulher presente. Ainda assim, ela afirma que nunca se sentiu hostilizada ou alvo de preconceito.

"Hoje, muitas mulheres estão estudando engenharia. Dou muito conselho para as filhas das minhas amigas que vão escolher que faculdade cursar e fico feliz ao ver que muitas escolhem as engenharias. Eu sempre digo para elas: não criem barreiras para si mesmas. Entendo, a partir da minha experiência, que é importante as mulheres estarem disponíveis, se sentirem livres para dizer 'eu posso'. As novas gerações têm mais consciência desses movimentos na sociedade. A situação ainda é desafiadora, mas o desenvolvimento na carreira é possível com planejamento."

Joelma, que é casada e tem dois filhos, ressalta que muitas vezes as mulheres limitam suas carreiras em prol das famílias.

Foto: André Ribeiro

“As mulheres muitas vezes cuidam dos filhos, são esteio da família e também são profissionais — precisam equilibrar esses três pratinhos rodando. Eu organizei a minha vida para conseguir conciliar as duas coisas. Aconselho que qualquer menina que deseja estudar e trabalhar nas carreiras de STEM pense nisso e não crie barreiras para si mesma, pois toda carreira exige sacrifícios, fazer acordos, abrir mão de algum conforto. Às vezes eu cedo, às vezes meu marido cede. Esse tipo de acordo é justo e necessário para o desenvolvimento profissional — e quem busca desafios precisa fazer acordos.”

A engenheira atua na carreira gerencial da empresa há mais de dez anos e relembra um período de destaque de sua jornada:

“Além da área de inspeção, já trabalhei na coordenação da implantação de projetos. Foi sem dúvida um dos pontos altos da minha carreira. Para qualquer profissional de projetos de engenharia é uma grande satisfação ver um sonho, um desenho no papel, se tornar algo palpável, pela atuação de várias pessoas e recursos. Poder participar disso, influenciar com conhecimentos, ideias, liderança e ver o trabalho se transformar em milhões de litros de gasolina ou diesel no tanque é algo fascinante.”