Música e matemática: uma relação harmônica

Quando analisamos os fatores que tornam uma música agradável aos ouvidos, podemos listar, por exemplo, o talento, a inspiração, a dedicação e a sensibilidade do artista. Porém, junto a eles — e por vezes despercebida, apesar de sua importância — está a matemática, cuja presença pode ser sentida da organização de uma partitura à disposição dos músicos em uma orquestra.

Como nos explica este artigo do UOL Content_Lab, as figuras musicais indicam as frações de tempo correspondentes a cada nota, acorde ou pausa. Você conhece a diferença entre cada uma?

Em um texto anterior, nós falamos a respeito da conexão entre música e física e mostramos, com a ajuda do divulgador científico Felipe Hime, a representação visual de cada nota em um aparelho chamado osciloscópio, que analisa características como frequência e comprimento de onda. Desta vez, nossa curiosidade nos leva a embarcar em uma jornada pelo conhecimento rumo à Grécia Antiga, onde o filósofo e matemático Pitágoras elaborou seu clássico experimento com o monocórdio: um instrumento rudimentar composto por uma caixa de ressonância e uma única corda.

Referência: https://www.descomplicandoamusica.com/matematica-na-musica/

Pitágoras dividiu a corda tensionada do monocórdio em duas partes iguais e percebeu que a nota tocada era diferente daquela resultante da vibração de uma corda solta. Isso o motivou a continuar dividindo a corda esticada e descobrindo, assim, outras notas musicais. As escalas que hoje conhecemos, como por exemplo a pentatônica, formada por cinco sons, devem sua existência a essas combinações matemáticas.

A matemática nas orquestras

Mateus Simões, diretor executivo da Orquestra Petrobras Sinfônica (OPES), compara a figura do maestro à de um professor — no caso, o “professor da matemática do tempo”. Ele explica:

“É [o maestro] quem dá os tempos necessários entre um instrumento e outro: segura um, libera o outro, comanda o compasso da música”.

Para o espectador leigo, o movimento da batuta não é simples de se compreender. Mas cada um deles obedece, além da emoção, a uma lógica precisa e internalizada por todos os membros da orquestra. À frente deles está Isaac Karabtchevsky, regente da OPES desde 2004 e responsável por posicionar cada agrupamento de instrumentos de modo que a música seja o mais harmônica, fluida e coesa possível.

Pode não parecer, mas essa tarefa envolve um cálculo matemático complexo e que contempla diversas variáveis — dentre elas, o tempo.

Fonte: UOL Content_Lab