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Aug 20 · 5 min read

Por meio de um projeto para estimular o ecossistema de startups, em parceria com o Sebrae, buscamos soluções tecnológicas para prolongar a longevidade das nossas instalações offshore

Quem mora em locais próximos à praia já sabe: a ação da maresia, que traz sais do oceano pelo ar, é cruel para alguns materiais, como o ferro. A exposição contínua à umidade e ao salitre pode acelerar a corrosão e diminuir a vida útil de objetos e eletrodomésticos. Se na orla essa situação já demanda medidas para proteção, prolongar a vida útil de estruturas metálicas e equipamentos se torna um desafio e tanto quando estamos cercados de água salgada por todos os lados, como em nossas plataformas — verdadeiras “ilhas de ferro” — a quilômetros da costa.

A química explica o fenômeno: metais perdem elétrons para outros metais, pois possuem potenciais eletroquímicos diferentes. O oxigênio, que não participa desse mecanismo, é absorvido no processo para a formação do óxido, em uma reação natural chamada de oxidorredução. As exceções são o ouro e a platina, materiais que não são exatamente adequados para a construção de uma plataforma. Quando há umidade no ar, a oxidação do metal acontece ainda mais rápido, uma vez que a presença de água forma íons que conduzem melhor os elétrons.

É por isso que superfícies metálicas costumam receber alguma proteção para evitar o contato direto com o oxigênio ou a umidade presentes no ar. Geralmente essa proteção se dá por meio de um revestimento, como uma tinta, que faz uma barreira física entre a superfície metálica e a atmosfera, evitando a oxidação e mantendo a integridade da estrutura ou do equipamento.

Corrosão: um dos problemas mais recorrentes em nossas plataformas

Uma pequena falha na pintura, causada por um risco ou impacto, pode ser a brecha necessária para iniciar uma reação de oxidação da estrutura metálica, que pode evoluir para a corrosão: quando o material muda de cor e aparecem manchas em tons de ferrugem na superfície. Se a reação não for contida logo no estágio inicial, ela tende a se espalhar, expondo cada vez mais o metal ao ar repleto de oxigênio e umidade. E isso pode acontecer até mesmo por baixo do revestimento protetor, que estufa e trinca.

E como evitá-la? As manutenções preventivas ou corretivas são essenciais para manter a integridade de uma estrutura metálica. “Nosso objetivo é que essas estruturas tenham uma sobrevida longa, de 15 a 20 anos, e temos como desafio atingir essa longevidade em instalações com difícil acesso, diminuindo os custos operacionais de realizar serviços de reparo de pintura a bordo e, no pior dos casos, os riscos de comprometimento precoce das instalações”, explica o consultor e engenheiro de equipamentos André Koebsch.

Além dos revestimentos anticorrosivos, em alguns casos podem ser necessários sistemas de proteção catódica na batalha contra a corrosão, como em superfícies ou equipamentos que ficam submersos ou são instalados em terra. Aplicamos esse método em dutos ou nas seções dos cascos das nossas plataformas abaixo da linha d’água. A proteção catódica é um complemento a um revestimento que impede o contato com o ambiente, atuando em suas falhas. É aplicado na estrutura um “metal de sacrifício”, que tem maior tendência de perder elétrons. Assim, esse metal sofre os efeitos da corrosão no lugar do metal utilizado no duto ou no casco da plataforma.

E como resolver essas questões?

Buscamos, por meio da parceria com o Sebrae, soluções de startups e pequenas empresas que resolvam o nosso desafio relacionado à corrosão. Para isso, podem ser desenvolvidas soluções à base de revestimentos anticorrosivos — incluindo tintas e polímeros orgânicos, inorgânicos, outros materiais metálicos ou até mesmo que incorporem a nanotecnologia para a composição de uma tinta com características especiais, como a capacidade de autorregeneração.

Esse tipo de tinta autorregenerante tem forte apelo para a indústria automobilística. Imagine ter um automóvel com esse revestimento e não precisar ter gastos adicionais com o conserto de riscos na lataria, uma vez que a própria tinta já se encarregaria de corrigir os danos na pintura. “Aqui na companhia temos uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP) para desenvolver a tinta autorregenerante, uma solução que pode diminuir a necessidade de intervenção das equipes de manutenção para consertar um dano na pintura em consequência da operação ou de um defeito preexistente”, conta André.

Outra vertente que pode ser seguida pelas startups e pequenas empresas se refere ao método de aplicação do revestimento. Desenvolvemos um protótipo de robô de pintura para superfícies verticais — como o casco de um navio-plataforma — que pode ter aplicação também na indústria de construção civil, tanto durante as obras quanto na manutenção preventiva da edificação. “Nesse mesmo caminho, vemos oportunidades de desenvolvimento de outras soluções para otimizarmos a aplicação de revestimentos em nossas instalações, como equipamentos para preparação da superfície ou pistolas airless, que usam alta pressão para acelerar o processo de pintura”, comenta o consultor.

Um revestimento mais adequado contribui para aumentar a longevidade da instalação, mas a gestão da integridade de nossos ativos depende ainda de ferramentas que nos permitam monitorar continuamente a integridade dos nossos ativos. Tecnologias da transformação digital, como Internet das Coisas (IoT, no original em inglês) e inteligência artificial, podem ajudar nesse desafio.

Nosso objetivo é poder avaliar em tempo real o estado de equipamentos e estruturas a partir de qualquer lugar por meio de câmeras inteligentes (video analytics), sensores de monitoramento da condição de estruturas (SHM — structure health monitoring) e sensores de corrosão.

André explica que “ao ter os dados do ativo reproduzidos em uma réplica digital (digital twin), automaticamente atualizada de acordo com as condições de campo, poderemos ‘caminhar’ por uma maquete virtual em terceira dimensão (3D) que espelha integralmente a plataforma. Dessa forma, vamos verificar, entre outros fatores, o desempenho do revestimento e a propagação da corrosão em tempo real, contribuindo para um planejamento mais eficiente das atividades de manutenção, otimizando recursos humanos e materiais necessários e reduzindo a exposição dos trabalhadores ao risco em nossas unidades offshore”.

Projeto Petrobras Conexões para Inovação

Parceria da Petrobras com o Sebrae, o projeto tem como objetivo estimular o ecossistema de inovação das startups, pequenas empresas inovadoras e instituições de ciência e tecnologia, promovendo o desenvolvimento de soluções tecnológicas para os negócios de petróleo, gás natural e energia. O edital prevê o financiamento de até dez projetos, em seis diferentes áreas, com valores que vão de R$ 500 mil a R$ 1,5 milhão, totalizando R$ 10 milhões nessa etapa.

Inscreva-se até 22 de setembro e concorra para ser uma das selecionadas! Conheça melhor as categorias do edital:

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