Você já ouviu falar de drone submarino?

Um tipo de equipamento subaquático de alta tecnologia tem facilitado o trabalho de inspeção e manutenção de equipamentos da Petrobras. Os AUVs (veículos submarinos autônomos) são verdadeiros drones que conseguem percorrer grandes profundidades, fotografar em alta resolução a 3 mil metros e gerar conhecimento sobre o fundo do mar.

Luisnei Martini, responsável pela condução técnica do uso de AUVs pela companhia, explica que uma das principais vantagens desses submarinos é que eles não precisam estar conectados por cabos aos navios, como ocorre com os ROVs (veículos robôs de operação remota), usados desde 1995 pela empresa.

Antes de ser colocado na água, o AUV é programado com as coordenadas do trajeto em que vai transitar, conforme explica Luisnei.

“Durante a operação, ele capta as imagens e envia para a embarcação. São amostras que já nos ajudam a identificar o que está sendo mapeado. Quando termina o trabalho, o retiramos da água e baixamos as imagens em alta resolução. O interessante é que podemos ver também outras coisas do fundo do mar, pois ele é capaz de fotografar tudo o que tenha mais de 5 centímetros.”

O especialista é formado em engenharia cartográfica pela Universidade Federal do Paraná e mestre pela mesma instituição em geodésia, ciência que estuda as dimensões, a forma e o campo gravitacional da Terra. Antes de passar a fazer parte da equipe da Petrobras, em 2007, ele trabalhou com a análise de dados meteorológicos e estimativas para a produção agrícola. “Em outro projeto, usava imagens produzidas por satélites para prever possíveis manchas de fogo em áreas de vegetação.”

A seguir, ele conta um pouco mais sobre o uso dos AUVs e como esses equipamentos auxiliam o trabalho dos técnicos ao trazer informações de forma mais dinâmica.

TUDO É PROGRAMADO

Embora tenha ganhado o apelido de drone submarino, o AUV não tem joystick. Tudo é programado antes de submergir. “Colocamos todas as coordenadas, por onde passará e a que altura vai navegar”, explica Luisnei.

RECALCULANDO A ROTA

Embora tenha autonomia, o equipamento pode ter a rota alterada. “Temos à disposição a tela do software de monitoramento de telemetria aberto e mandamos comandos: baixa alguns centímetros, vai para um lado, para o outro.”

FOTÓGRAFO SUBMARINO

A utilização dos AUVs mostrou-se fundamental para coletar dados importantes sobre os milhares de quilômetros de dutos que a Petrobras utiliza no fundo do mar. “O equipamento é capaz de tirar fotos, mas nas áreas de maior profundidade, onde a luz não chega, ele opera por ondas sonoras. O sinal é enviado, bate no objeto e volta ao aparelho. Então, esses dados são processados e transformados em imagens”, diz Luisnei. Na Bacia de Campos (entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo), foram avaliados aproximadamente 1.200 quilômetros de dutos.

Imagem capturada por um Drone no fundo do mar pela Petrobras

MERGULHO PROFUNDO

“O aparelho navega a 3 mil metros de profundidade”, conta o especialista da Petrobras. Para suportar tamanho percurso, sua bateria tem boa duração. “O que usamos operava em torno de 18 horas. No entanto, há alguns modelos que chegam a trabalhar por até 80 horas.”

Detalhamento das diferentes partes que compõem o equipamento

LIGEIRINHO

Uma das grandes vantagens dos “drones submarinos” é a velocidade. Enquanto seus primos ROVs percorrem cerca de 300 a 400 metros por hora, os AUVs chegam à marca de 5 km/h. “Há um ganho de escala incrível. É possível fazer muito mais em bem menos tempo. Nosso ganho de produtividade é muito grande”, comemora Luisnei.

Com alta popularidade nos céus do Brasil atualmente, Luisnei enxerga o importe papel que o uso dos Drones promovem no mar. Tecnologia e conhecimento fazem a diferença na Petrobras!