Sobre O Estudo Do Ser, Do Nada E Do Homem Efetuado Por Jean-Paul Sartre Exposto Em Comentários Básicos - Conclusão

As análises fenomenológicas existenciais de Jean-Paul Sartre levaram ao concluir de que a liberdade é o mote sustentador da existencialidade. Reduzindo a Fenomenologia ao nada, já que ela não é mais necessária porque a liberdade propicia ao ser livre o afastamento de tudo o que vem já a ser dado e põe-no no que ele ainda virá a ser. O projeto é posto diante do ser e as valorações nascidas desse pôr advém do que foi escolhido como a organicidade do projeto. Neste estão os possíveis valores morais, não sendo mais estes impostos externamente ao homem porque nascem da voluntariedade atuante deste no desenvolver do seu projeto. Parte do coletivo, o homem passa a ser o responsável pelos atos de todos os homens e tudo o que ocorrer no mundo será facultado pela coletividade que permitirá esse ocorrer. Pelas precisas análises anteriores, ao desenvolvimento deste estudo cabia ritmicamente fazer o caminho do objetivo do mesmo relacionado ao interpretar do pensamento sartreano com as próprias palavras deste como referências. Feito o caminho analítico, a dissertação sobre o existencialismo ateu e o humanismo sartreanos puderam ser a liga orgânica de conexão de todo o estudo aqui desenvolvido. Do ser ao nada o homem descobriu-se livre e descobriu-se ser no Homem. Porém, a liberdade humana em sua vontade de agir, retirada da animalidade, não lança o homem diretamente ao caminho de um “Deus” que o tenha creado e o direcione em caminho específico. O ateísmo sartreano leva ao visualizar de que é o homem o único que equilibra o seu destino no mundo, não existindo nenhum “Deus” acima dele como um “senhor supremo ao qual deva sentir-se satisfeito por existir”.

Grande parte da Ontologia procurou, em muitos representantes, “provar a existência de Deus”. Sartre utilizou-a, assim como à Metafísica, esta outra ciência filosófica que desenvolve-se nos caminhos especulativos buscadores da realidade divina, para provar a não-existência de “Deus” e até a inutilidade deste que permanece filosoficamente questionado duvidosamente como existente por um montante de outras filosofias. Muito próximo do pensamento de Friedrich Nietzsche (1844–1900), o pensamento ateístico sartreano foi talvez um pouco mais longe ao considerar a inútil necessidade de existir um “Deus” para o homem, o qual é autosuficientemente pleno da sua trajetória humana da qual tem todo controle e o possante poder de direcioná-la conforme a sua vontade própria. Sartre distanciou-se dos demais ontologistas, metafísicos e existencialistas, incluindo os citados neste estudo, por exaltar mais do que seria possível exaltar o sentido da existencialidade humana. Exaltação radical da atividade libertadora do homem como Homem diante do Ser e do Nada, podendo ser considerada original, única e revolucionária para a História Do Pensamento Humano. Uma exaltação ricamente presente em toda a sua obra, vasta obra que trata dos problemas existenciais. “O que predomina é a obra global de Sartre, e não determinados elementos dela. Embora, sem dúvida, se possa pensar em obras-primas específicas dentre seus inúmeros escritos, elas não respondem por si sós pela verdadeira importância que ele tem. Pode-se até mesmo dizer que seu ‘projeto fundamental’ global, com todas as transformações e permutações multiformes que sofreu, é que define a singularidade desse autor inquieto, e não a realização sequer de sua mais rigorosa obra. Pois é parte integrante de seu projeto que ele constantemente mude e revise suas posições anteriores; a obra multifacetada se articula mediante as transformações dela mesma, e a ‘totalização’ é atingida mediante incessante ‘des-totalização’ e ‘re-totalização’”. As palavras sintetizadoras do significado de Sartre para o Pensamento Humano são do filósofo húngaro István Mészáros (1930- ), objetivando tocar no fator das amplidões da obra sartreana através de uma mutabilidade que enriquece-a.

O pensamento sartreano é o todo do pensar de Sartre sendo ele mesmo, nos processos modificantes que multiplicam-lhe a intensidade. Sartre é a sua obra. Sartre é o que a sua obra é. Sartre foi compreendido neste estudo como Sartre e nada mais o definiria como ele mesmo do que o seu ser. O mais célebre filósofo do século XX foi revelado. E ele mesmo revelou que a única guerra do homem é esta: pela sua liberdade. E a única guerra do Homem é esta: pelo Homem. E nada pode impedir os que ficam livres, os que vitalmente alcançam a liberdade, de continuarem nesta mais livres. Basta encontrar a liberdade e tê-la como mestra vitalícia.

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