Crítica: BoJack Horseman (Temporada 6 – Parte 1)

“Eu lembro de tudo, estou sóbrio agora”, afirma o protagonista BoJack (Will Arnett) em determinado ponto da temporada. O norte é, realmente, este: um personagem complexo relembrando momentos que já conhecíamos e outros inéditos de sua vida. Por se tratar da última temporada da série, diversos episódios começam a soar nostálgico e bate aquela sensação de que um grande fechamento está se aproximando.
Em uma jornada de auto conhecimento, BoJack relembra momentos chave de sua vida e sobre a sua relação com o álcool. A origem do vício do protagonista tem ligação direta com a sua família e neste primeiro episódio descobrimos o porquê. As ocasiões em que ele interage com seus pais têm gerado cenas emocionantes durante toda a série e agora não é diferente.
Enquanto BoJack está na reabilitação, os outros personagens estão lidando com seus próprios dilemas. Princesa Caroline (Amy Sedaris) está se acostumando com a chegada de sua filha adotiva e busca um equilíbrio entre cuidar dela e do seu trabalho. O segundo episódio, focado na personagem, chega a ser exaustivo, mas em um bom sentido. São exibidas diversas facetas de Caroline, que ela assume para satisfazer as expectativas impostas a ela pela sociedade.

As críticas sociais, características do show, não param na cobrança que as mulheres sofrem. Usando o novo trabalho de Diane (Alison Brie), a série aborda um tema que tem sido debatido recorrentemente: o monopólio de grandes empresas. A empresa Whitewhale funciona como uma espécie de Disney deste universo fictício. Os conflitos de Diane não param no âmbito profissional. Ao mesmo tempo que ela tenta fugir das consequências de seus atos na temporada anterior, surge a chance de um novo começo em sua vida.
Depois de três episódios onde a dramaticidade recebe maior destaque do que o humor, este capítulo, focado no Sr. Peanutbutter (Paul F. Thompkins), é mais leve e o que gera mais situações cômicas até aqui. Já estava sentindo falta de ver os personagens principais reunidos em um mesmo ambiente e esse encontro não decepciona. As cenas em que BoJack e Diane interagem são o destaque, pois mostra o quanto os dois e a amizade entre eles amadureceu.
A segunda metade dessa leva de episódios retorna ao seu ponto inicial: a clinica de reabilitação onde BoJack está. No entanto, agora ele precisa se preparar para regressar ao seu cotidiano. Após o choque inicial, as coisas começam a parecer promissora para Horsemann. No entanto, conforme nos aproximamos do final destes episódios, é possível notar que muitas das ações feitas pelo protagonista, durante toda a sua vida, estão num processo de bola de neve que a qualquer momento irá atingi-lo. A expectativa pelos episódios finais da série, que chegam em janeiro de 2020, é grande, após este excelente início.


