Como vim parar em Piracanga | CAP. 1 | O piloto leitor de aura
Muita gente tem me perguntado o que cargas d’água estou fazendo da/na vida. Resolvi contar!
Em dezembro passado, escrevi este texto aqui que, para muita gente, fez sentido. É engraçado relê-lo porque soa como se eu já fosse moradora de Piracanga. Naquele momento, ainda não era, nem tinha a intenção de vir a ser tão logo.
Não faz muito que estive na ecovila, comunidade e centro holístico de Piracanga, no Sul da Bahia, perto de Itacaré, pela primeira vez. Foi há pouco mais de um ano, em dezembro de 2014, e vivi uma experiência muito impactante. Aproveitando a curiosidade dos amigues, decidi rebobinar até o comecinho da fita e contar toda a história, todas as sincronicidades que me levaram à casa. O textão está dividido em cinco capítulos, que vou publicar durante esta semana, de segunda a sexta ;) Vamos ao primeiro.

Lá pelo meio de 2014, postei uma foto no Instagram de uma xícara de café que estava tomando com uma amiga em um restaurante vegetariano escondidinho no canto da praça onde fica a FNAC Pinheiros, em São Paulo. É raríssimo, tanto eu tomar café quanto postar foto de comida no Instagram, mas como tinha devorado tudo e queria compartilhar a descoberta do restaurante, foi com a imagem do café mesmo. Eis que um amigo com quem não conversava há anos, o Danilo Dirani, que é piloto de kart, turismo e estava na F-Truck naquela época, deixou um comentário dizendo que iria ao lugar. Achei curioso porque, na única vez em que tínhamos nos encontrado pessoalmente até aquele dia, um almoço da F-Truck para a imprensa, ele havia passado o tempo todo pegando no meu pé junto com um colega jornalista porque eu era vegetariana (os almoços do pessoal do automobilismo costumam ser em churrascarias). Isso deve ter sido lá pelos idos de 2011 e, a partir daí, eu e o Danilo nos falamos algumas vezes por telefone ou internet, para entrevistas ou sobre avida. Não viramos melhores amigos de cara, mas tínhamos muita simpatia e respeito um pelo outro.
Então, vi o comentário dele na foto e voltamos a nos falar. Ele me contou que frequentava um grupo que se reunia toda terça-feira em torno de temas variados ligados à espiritualidade, o “grupo da Re”. O dia em que nos falamos era uma terça-feira e resolvi ir, assim, de supetão. Era época de ressaca pós-Copa do Mundo do Brasil. Eu tinha acabado de terminar com meu ex-namorado, tinha saído do UOL Esporte e estava naqueles momentos de vácuo, sabem? Tempos de “não sei”, que eu só percebi que existiam e passei a honrar lá mesmo em Piracanga.
Ao mesmo tempo, tinha acabado de assumir um risco, mas que senti que seria bom, que me levaria adiante: aluguei um apartamento sozinha pela primeira vez. Ele era lindinho, pequeno como eu =D, bem dividido, com varanda, em um prédio com piscina e academia. Pequenos sonhos realizados ;) Só visitei um único apartamento, este, e senti que era ali. A única coisa é que o aluguel era um pouco emocionante: R$ 1.700 + R$ 400 de condomínio, na Av. Pompeia, perto da Rua Alfonso Bovero #SDDSPompeiaMelhorBairro
Comecei a freelar (atuar como jornalista freelancer, pegando trabalhos isolados aqui e ali) e voltei a dar aula de inglês para crianças e adolescentes no Red Balloon. Fui aluna e este tinha sido meu primeiro emprego dez anos antes! O Balão não pagava muito, mas esse não era o ponto: pelo menos eu tinha alguma rotina e colegas, porque o trabalho de freelancer pode ser muito solitário. E outra: foi muito sincrônico, esse emprego. Eu preenchi a ficha no meio do semestre e é raríssimo as escolas chamarem nestas épocas, mas eles estavam precisando de alguém e a escola ficava a dois blocos de casa. Tudo muito encaixadinho e perfeito =) Eu não ganhava o suficiente para me sustentar, mas tinha dinheiro guardado para isso mesmo. Afinal, não era a primeira vez que eu dava um tempo em “empregos normais”.
Comecei a frequentar o “grupo de terça” e outros, e formamos uma turma muito linda e feliz, que se encontrava para falar da vida e de espiritualidade do nosso jeito. Eu, o Danilo e mais quatro meninas amadas. O Dan sempre contava como tudo tinha começado, essa mudança. Tinha sido com uma ida a Piracanga para um curso de curta duração, de cura e proteção energética, a convite de amigos. Tempos depois, ele voltaria para fazer o Retiro de Leitura de Aura — Nível 1. SIM, GENTE. Temos um piloto que sabe fazer uma Leitura de Aura! Adoro contar isto heheh
Não me conectei nem um pouco com a história da Leitura de Aura, não tinha a menor ideia do que era. É verdade que eu já andava me ligando a terapias holísticas e conhecimentos mais intuitivos que racionais condicionados. Estava em formação para ser terapeuta de Florais de Bach, que conheci passando por um tratamento muito simples e forte de Radiestesia (essa havia sido minha primeira experiência com energia — eu era bem cética, mas saí da primeira sessão sentindo que tinha passado por uma cirurgia e não teve muito jeito, respeitei e voltei).

Ouvindo o Danilo falar de Piracanga, decidi que seria o lugar perfeito para passar uma “lua-de-mel comigo mesma” no final de 2014. Resolvi me dar este presente para fechar um super ciclo de desordem que havia se iniciado em 2012 com o fim de um relacionamento, o primeiro namorado com quem morei. Haviam sido três anos e meio, um ano e meio morando juntos. Um relacionamento muito forte e com muitas barreiras sociais e profissionais, mas também cuidado com muito carinho pelos dois enquanto durou. Quando deixamos de cuidar, acabou.
Em 2012, cobri a temporada de Fórmula 1 como repórter e resolvi realizar o sonho de morar fora, então fiquei sete meses baseada em Barcelona, entre a temporada europeia e a penúltima corrida do ano. Foi, sem a menor dúvida, o ano mais maluco da minha vida. Incrível de bom e de ruim porque, olha, se eu começar a contar os perrengues que passei, o textão aqui vai virar uma ficha de uns bons metros!
Voltei ao Brasil em 2013 sem grandes perspectivas de retornar a uma redação e fui estudar Gerenciamento de Projetos. No meio do ano, acabei indo trabalhar com conteúdo digital publicitário como GP (Gerente de Projetos) por seis meses. No ano seguinte, já era o 2014 do qual estou tratando aqui, e fiquei no UOL por quatros meses no pré-Copa e durante o evento.
OK. Eu iria para Piracanga. Mas para fazer o quê?
Próximos capítulos:
CAP. 2 | E vou até lá para fazer o quê?
CAP. 3 | Piracanguense de Coração
CAP. 4 | O Chamado
CAP. 5 | Vanessa Vende Tudo
Prabhu Aap Jago, Paramatma Jago, Mere Sarve Jago, Sarvatra Jago. Sukhanta Ka Khel Prakash Karo. | Deus/Amor desperte, Deus/Amor desperte em mim, em todos e em todos os lugares. Ilumine o jogo da bem-aventurança.