Pra cada relacionamento, o casal que o merece

Toda história de amor merece ser contada, ainda mais quando ela vem com mesa de bar e um filme bom.

Mariana e Gabriel são um casal de amigos meus que namoram faz um ano de meio, eu pessoalmente acho o relacionamento deles fascinante. Sexta passada a gente estava no bar, cheguei mais cedo e eles se atrasaram, Mariana chegou pisando alto com uma cara puta e Gabriel veio atrás indignado, antes de sentar ela já começou a soltar os cachorros nele, falou que era um absurdo, onde já se viu, como que pode não gostar, não dá pra ficar com uma pessoa assim; claro que ninguém entendeu nada e ficamos nos olhando com cara de paisagem.

Não me aguentei e perguntei o que tinha acontecido, Mariana contou que tinha apresentado seu filme preferido para o Gabriel, “O Brilho Eterno de uma mente sem lembranças” e ele tinha dito que achou chato, e ela estava enfurecida. Ele e metade da mesa não conseguiam entender a raiva da Mariana, eu pessoalmente entendia uma parte, não toda, mas não julguei também tenho surtos estranhos, às vezes. Se eu tivesse um relacionamento parecido com o dos dois meus motivos de brigas seriam outros. Por exemplo, no carnaval eles foram pra Minas, Gabriel com uns amigos e Mari com umas amigas, ah, um detalhe importante nesse relacionamento é que Mari é bi, e o Gabriel até então super hétero (o que ela jura que ainda vai mudar um dia); pois bem, estavam os dois em um bloquinho quando a Mari sugeriu que ele beijasse uma amiga dela, e ele beijou sem pensar duas vezes, dai ela também beijou um amigo dele, e foi uma coisa tranquila normal na rotina deles.

Quando ela me contou essa história a primeira vez eu fiquei bem chocada, como justifico tudo com signo não podia deixar de dizer que a minha lua em câncer e meu vênus em touro não me permitiriam nunca estar na mesma situação, por isso eu achava um absurdo, mas disse que se eles estão bem com isso, ótimo, e sim, está ótimo mesmo, é o relacionamento deles e eles criam as “regras” ou “não regras” do jeito que bem entendem. O que acontece na verdade é que ninguém é feliz o tempo inteiro, alguma das partes sempre arrumam um motivo de infelicidade, ou insatisfação e o que a gente precisa entender é que é perfeitamente aceitável eles existirem, é até necessário, nenhum casal é perfeito, N E N H U M. Pra ser bom você tem que brigar por causa do filme, ou ficar com o amigo dele, ou começar a morar junto no terceiro mês, ou ter uma crise de ciúme a cada minuto.

Cada casal escolhe sua loucura, e cada loucura torna o casal mais ele mesmo. Não existem padrões, há muito tempo não existe nenhum, padronizar o amor é tirar a melhor parte dele, o amor acontece dentro e fora de nós e isso é o que o torna grande o suficiente para queremos partilhar com outra pessoa do jeito que bem entendemos. Mari fica com meninas, meninos e ama o Gabriel, o Gabriel fica outras meninas e ama a Mari. O que importa é ter amor, o resto quem sabe dá pra descobrir vendo “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”? O importante é ser amor, o resto é assunto pra mesa de bar.


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