Terroristas made in Brazil?

A fabricação estratégica de terroristas brasileiros

O novo governo brasileiro não vai liberar o uso da maconha e isso não tem nada a ver com preocupação com a saúde ou a segurança das pessoas. Se tivesse, talvez fosse proibido também o consumo do álcool. Na verdade, a promessa é de “jogar pesado” no combate à maconha, indo exatamente na contramão do restante do mundo, que já viu que isso não funciona.

O motivo real tem mais a ver com medo e poder.

Se liberasse, a “Guerra às Drogas” arrefeceria.

E uma guerra eterna é extremamente útil para um projeto de manutenção de poder. Além de reverter muita grana para a indústria de armamentos (muito íntima do presidente eleito, aliás), mantém a população com aquela sensação de que há uma ameaça pontual que deve ser destruída.

A qualquer custo.

A guerra para destruição desse inimigo justifica tudo, inclusive medidas extremas, que normalmente poderiam ser rechaçadas pela sociedade, ou pelo menos por boa parte dela.

Carandiru mandou abraço lá de 1992.

Agora, uma nova movimentação aconteceu no tabuleiro de xadrez. Supostos membros do Comando Vermelho em um vídeo em que, mascarados, ameaçam tirar a vida de uma procuradora paraguaia envolvida com a prisão de um de seus líderes.

Armas, máscaras, vídeos com ameaças = TERRORISMO.
A conta é simples.

Traficantes com armas e máscaras ameaçando representantes do Judiciário de outro país é um episódio muito útil na direção de “vender” esses criminosos como terroristas, de mostrar que os terroristas estão aqui no Brasil em toda parte. Ter um grupo para chamar de terrorista deixa as pessoas apavoradas (mais do que já estão) e pré-dispostas a aprovar qualquer ação ou mesmo legislação para “acabar com a ameaça terrorista”. O medo e o desespero tiram das pessoas a capacidade de pensar com clareza e, mais que isso, sua empatia:

“Estamos numa guerra, preciso proteger os meus. Que se danem os outros.”

Movimentos sociais e protestos às vésperas de serem criminalizados, traficantes sendo denominados terroristas. “Terroristas são a escória do mundo!” Assim vai ser mais fácil ver os corpos negros periféricos mutilados sendo carregados em caçambas e pensar:

“Tá certo, o Governo tem é que matar esses terroristas.”

“São terroristas” é a frase que justifica qualquer tratamento desumano, qualquer tratamento terrorista.

Desumanizar para matar sem dó. Vi ainda ontem mecanismo semelhante sendo empregado num episódio de Black Mirror (Engenharia Reversa). Tudo, de qualquer forma, já estava desenhado também em 1984 do George Orwell.

Pode ser que não tenha sido proposital, mas o vídeo veio muito a calhar para o Governo recém eleito. Muitas coisas extremamente convenientes lhe acontecem, aliás. De toda forma, o vídeo será certamente explorado na campanha de guerra que se agiganta.


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