Você sabe mesmo o que é gentileza?
Gentileza é intrínseca ou é moldada socialmente?

Etimologicamente é social, “à gente” “ao povo” à “nós”. Gentileza é não ter recompensa. É baseada na fraternidade, à doação, que gera (generosidade) a vida social como consequência o cotidiano humano. Todo mundo — teoricamente — parece já saber disso tudo.
A expressão da natureza humana é a gentileza.
Parece-nos, muitas vezes, que a gentileza é sinônimo de interesses em quaisquer campo onde ela se manifeste, seja na família, trabalho, na rua… isso se deve por motivos históricos, onde nasce nas vivências da realeza européia o cortejamento social e suas recompensas pessoais e de status.
Você conhece alguém que, por exemplo, gosta muito mais de dar presentes do que receber? É como se este sentimento num dado momento possa ser uma amostra de humanidade natural num exemplo de que a gentileza deve e pode ser expandida.
Vou explanar.
Essa ferramenta da gentileza é crucial como pontapé à necessidade de se elevar o padrão de exigência quanto ao comportamento dos indivíduos que convivem com você. É como se fosse resumida na velha frase clichê que todos conhecem mas ninguém nunca parou para de fato pensar “gentileza gera gentileza”. Alguém que floresce gentileza e transborda ela de si, trás à tona tal sentimento quando a percebe em sua volta. Semeie. Você será a referência aos demais em determinado momento.
Na maioria das vezes, criticamos e aguardamos um outrem ser e tomar a iniciativa da prática da gentileza, boa parte destes momentos, o argumento das reclamações e apontamentos de injustiças e companheiros cotidianos.
“A evolução nada mais é do que a depuração do gosto” — Sri Ram
Gentileza e gentilezas…
Este ensaio não é uma apologia à pseudo-gentilezas a fora, engatados em formatações puramente sociais que de nada há a atuação do coração humano, e sim, uma necessidade de ser exercida como ela é, intrínseca em primeira instância, empata. Comece com quem você ama.
Ainda que este ato — a gentileza — seja enquadrado socialmente como adequado ou mesmo o “mínimo” no dia a dia, o juiz da sua ação é sua consciência livre, é o que diferencia sua intenção por detrás do ato, se há recompensa, se é por “obrigação” ou é de coração humanizado.
Um visão limitada da realidade recheada de interesses pessoais são como uma fresta pequena em que você enxerga muito pouco o que há detrás: só possuí visão para o que tem interesse.

O que quero dizer com tudo isso é reforçar que formalidade social é completamente diferente da gentileza humana intrínseca. Deixar a gestante ou o idoso passar à sua frente numa fila não é gentileza, é formalidade social.
Preste atenção no seu cotidiano.
Não que isso seja ruim, pois a formalidade social é fundamental, é condição necessária, mas não é autossuficiente, pois o sentimento livre da generosidade humana nestas ações e outras, tornam-se a qualidade da ação.
Vou repetir aqui uma frase que já escrevi no diálogo sobre Carência afetiva porque se emoldura também perfeitamente neste assunto: O melhor que podemos fazer pelo outro é crescermos como individuo único. Essa unidade melhorada se tornará o bem real e humanizado ao coletivo.
Gentileza é um dos atributos do homem maduro.
Deixo como sugestão o livro Shinsetsu — O Poder da Gentileza do professor Clóvis de Barros para expandir os horizontes desta reflexão breve.
Lembre-se que os que não possuem atributos humanos gentis, que ignoram seus semelhantes e não o sentem olho no olho, são de fato, os reais miseráveis.

