Um passeio pelo backstage de um podcast

Após um ano de Pizza de Dados, eu te conto como é a jornada de ter um podcast

Jessica Temporal
Mar 13, 2019 · 8 min read

Em conversas, algumas pessoas já me falaram a seguinte frase:

Sempre quis fazer um podcast sobre insira-aqui-o-assunto-de-sua-preferência mas não sei nem por onde começar…

E a minha resposta é sempre a mesma: Eu te mostro como fizemos com o Pizza e se você quiser você pode tentar fazer o mesmo 😉

É um assunto tão recorrente que eu decidi escrever sobre e te inspirar a transformar o seu podcast em realidade \o/

O começo

Se você estiver buscando algo 100% gratuito e sem limitações — pelo menos para os primeiros episódios, aqui tá a receita de Pizza (da bum tsss) que usamos:

  • Archive.org: você vai precisar armazenar os áudios do seu podcast em algum lugar que gere um link direto de download. No nosso caso o escolhido foi o archive.org já que lá não existe limitações de espaço para armazenamento;
  • Um feed.xml: veja bem, uma coisa que você vai aprender para ter um podcast é que você precisa ter um arquivo no formato xml. Esse arquivo é o que chamamos feed e ele que vai servir de comunicação para avisar as plataformas e agregadores que um novo episódio saiu, então você vai precisar hospedar esse arquivo em algum lugar. No caso do Pizza, nós criamos um site usando um template Jekyll e a hospedamos no GitHub.

Um site

Basicamente a forma mais utilizada hoje para distribuir podcasts é pela Apple. Então, além de mostrar as informações de cada episódio do Pizza, o nosso site também tinha o papel fundamental de servir o nosso feed.xml. A maioria dos templates Jekyll já vem com um de fábrica, mas pode ser necessário fazer ajustes.

Para a Apple saber que o seu podcast existe você precisa criar uma conta lá no Podcasts Connect e submeter o feed nos padrões que a Apple especifica. No nosso caso, esse processo de submissão foi um pouquinho chato, pois precisamos de algumas interações até o feed estar 100%, mas uma vez com o feed pronto e validado de acordo com as especificações da Apple para podcasts estávamos prontos para distribuir o Pizza por aí.

Antes de gravar

O primeiro passo antes de gravar então é escolher uma convidada ou convidado para conversar com a gente. Nós temos uma planilha gigante de pessoas que queremos trazer pro Pizza dos mais diversos assuntos dentro da área de Ciência de Dados. É dessa planilha que saem principalmente as pessoas que vêm falar no Pizza, ao lado de cada nome, cada pessoa tem também os assuntos que levaram ela estar na lista.

Com base na pessoa escolhida e o assunto em que ela é especialista, todos começamos os estudos naquela área. Internamente, eu, Leticia Portella e Gustavo Coelho compartilhamos vários conteúdos até a data da gravação e esse estudo é utilizado para escrever “a pauta”. Ela é um arquivo bastante simples que mandamos para nossos convidados com pelo menos uma semana de antecedência para que 1) ele ou ela possa contribuir com assuntos a serem discutidos e 2) possa se preparar com relação ao que está por vir e se sentir o mais confortável possível durante a gravação.

A pauta não é rígida, nós não vamos conversar exatamente sobre o que está escrito nela, mas ela serve para que nós não fiquemos em momentos de “não temos o que falar”. Na maioria dos casos a conversa flui naturalmente e a pauta quase não é utilizada.

Um ponto importante da preparação também é o alinhamento das agendas. Casar a agenda de 4 ou 5 pessoas às vezes é complicado e, por isso, esteja preparado para gravar mais de um episódio por mês. Isso garante ter material para publicar caso aconteça de nenhum dos convidados que você tinha em mente poderem gravar com você na data que você tinha em mente.

Gravações

Fonte

A Google costumava ter uma ferramenta chamada Hangouts On Air, que hoje faz parte do YouTube. Basicamente ela te permite fazer uma chamada do Hangouts e (pasmem!) gravar ela! Essas chamadas ficam associadas ao seu canal no YouTube, então basicamente o Pizza virou YouTuber.

Fonte

No YouTube existem vários tipos de chamada: as públicas, que todos inscritos no seu canal vão receber notificação quando forem iniciadas e podem acompanhar ao vivo; as não listadas, que as pessoas que receberem link podem acompanhar ao vivo se quiserem, mas os inscritos no canal não vão receber notificação; e as privadas, que apenas por convite poderão ser visualizadas.

Tela de criação das chamadas do YouTube

Hoje é exatamente isso que fazemos, criamos a chamada em modo privado lá no YouTube e mandamos o link da chamada para os convidados, assim conseguimos gravar sem ninguém assistindo 😋

Depois de terminar a gravação usamos o youtube-dl para baixar apenas o áudio da chamada com a melhor qualidade possível. Agora um aviso: existem algumas coisas que influenciam a qualidade do áudio 1) microfones e 2) transmissão do áudio. Um áudio que é transmitido via internet por exemplo, como é o nosso caso, naturalmente perde parte da qualidade. Por isso sempre baixamos com a melhor qualidade possível. Já microfones só dá pra resolver comprando bons microfones, muitas vezes mais caros, então tente fazer o melhor que puder para mitigar a falta do microfone como gravar em lugar silencioso e sem eco.

Edição

No começo nós mesmos que fizemos a edição que consistia basicamente de cortar silêncios e vícios de linguagem como ééé, ããã e afins. Pra isso a gente usou um programa chamado Audacity. Ele serve para muitas coisas de áudio desde gravação a edição e tem suporte a todos os sistemas operacionais que usamos.

Era de longe a tarefa mais pesada para nós que tínhamos zero conhecimento de edição de áudio até então. Editar o áudio demandava um tempo que nós não tínhamos para dispor, era a tarefa que mais impedia o episódio de sair em tempos regulares. Mas deu certo e melhorou na hora que estabelecemos uma parceria com o Data Bootcamp que nos permitiu pagar o Johnny e liberar nosso tempo para focarmos em outras atividades.

Fazendo o post

Depois de fazer essa tarefa algumas vezes nós criamos um template que tem o esqueleto base de um post assim evitamos ficar reescrevendo as seções que se repetem como “Escute agora” e “Pessoas nesse episódio”. Além de nos ajudar a não esquecer nenhuma seção 😉

Episódio no YouTube

  1. kdenlive: um editor de vídeos do mais simples que encontrei para Linux;
  2. Canva: uma plataforma online para fazer designs de várias coisas. Você pode ter notado que as artes do Pizza tem a mesma carinha, isso acontece pois usamos o Canva para “padronizar” a nossa “marca”, lá nós salvamos nas nossas cores principais, a fonte que usamos, o ícone do Pizza e os templates das imagens para YouTube e para demais redes sociais.

Geralmente a renderização do vídeo acontece junto com a edição do post já que nos nossos posts nós temos um embed dos vídeos como alternativa para escutar.

Subindo o material

Pizza entregue

Então, na data que combinamos de soltar o episódio, algum dos 3 pizzaiolos ia lá e fazia um Pull Request lá no GitHub para finalmente colocar o episódio novo no ar. Pull request aceito, o GitHub se encarrega de atualizar o site oficializando o lançamento do episódio novo.

Considerações finais

Aaahh e última coisa, no meio desse processo natural, também lançamos uma campanha de financiamento recorrente que nos ajuda a pagar o Johnny, então se você gosta do que fazemos, apoie nosso trabalho (e do Johnny 😜).

Gostaria também de deixar um agradecimento a todos ouvintes e amigos que vem acompanhando e apoiando o Pizza. E pra você que quer começar o seu podcast: espero ter ajudado a clarear as ideias.

Um xêro e venha para a podosfera.

pizzadedados

O primeiro podcast brasileiro sobre ciência de dados

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Jessica Temporal

Written by

Data Scientist. Loves to write beautiful code and technical posts. Co-host @ Pizza de Dados pizzadedados.com Pronouns: she/her/hers

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