Existe uma esteira rolante entre as estações Paulista e Consolação.

Quase todos os dias, a multidão que ali passa é uma mancha de rostos irreconhecíveis.

Mas há dias, alguns dias, em que a multidão parece guardar um segredo. Em que ele sente um frio na barriga e sente acesa a esperança (disfarçada de medo) de que seus olhos cruzem, no meio daqueles rostos, com os olhos que nunca mais viu.

Nesses dias, a mancha de rostos tem olhos. E cada par de olhos parece guardar alguma semelhança com o que ele busca. E lhe parece estranhamente familiar.