Refinando logotipos — transformando um logotipo super ruim em Superbom

Não tem nada pior pra nós designers do que encontrar um logotipo em sofrimento. Curvas mal desenhadas, erros básicos de construção, fontes mal escolhidas e espacejadas. É o fim.

Plau Type & Design
Aug 23, 2017 · 4 min read

Opa, calma aí. Não é o fim não!

Lettering e desenho tipográfico para salvar o dia

Encontrei hoje o logotipo da Superbom, uma das “maiores empresas no ramo de alimentos saudáveis voltados ao público vegano/vegetariano do Brasil.” — palavras do site da empresa.

A empresa me despertou interesse. 90 anos de história com um logotipo de letras conectadas (script) desenhadas como se fossem feitas com um pincel — pouco convencional para o mercado brasileiro. Ao observarmos detalhadamente, os problemas de construção do logotipo aparecem. Eis os principais que encontrei:

  1. A inicial S é a forma mais bem resolvida do grupo. Mas as letras subsequentes não parecem ser filhas delas. Sendo honesto, nem primas distantes. Cada letra foi criada sem o conjunto em mente.
  2. Inconsistência no ritmo das formas e contra-formas. Balancear as partes preenchidas com as vazias faz com que o logotipo fique mais agradável e o ritmo de leitura mais consistente. Mudanças deste ritmo devem ser deliberadas e intencionais. Não é o caso aqui.
  3. Inconsistência de angulação — Há ocasiões em que queremos dar vida ao lettering, e uma das opções é brincar com diferentes ângulos. Não é o caso deste logotipo, que requer consistência na inclinação das letras.
  4. Os contrastes — diferenças entre as partes finas e grossas das letras — desrespeitam a lógica de um desenho feito com pincel. Pra resolver isso o designer deveria se familiarizar com um pincel, empunhar um e aprender a manuseá-lo. Um pouco de conhecimento e prática já ajudaria a evitar desastres.
  5. Construção digital/geométrica. No caso de logotipos com estilo manuscrito, o computador é seu inimigo, uma vez que ele facilita demais o desenho com suas formas básicas pré-prontas. Para manter o efeito ao máximo, é preciso ignorar o computador e construir as formas de maneira orgânica manualmente.
  6. Inconsistência de terminações: de novo resultado de não experimentar e observar o pincel em ação.
  7. Letra o com formato estranho, lembrando um G maiúsculo
  8. Inconsistência total na altura de x, linha central e linha de base. Ao construirmos letras como estas, devemos ser conscientes da linha horizontal imaginária que atravessa o meio das minúsculas. O quique de cada letra gera movimento e confere graça à silhueta da palavra.
  9. Terminação da letra m sem brilho. Deu preguiça de finalizar o logotipo, né? Aprendi com o Alejandro Paul que um lettering bem executado é como uma boa história, deve ter início, meio e fim bem demarcados. Não foi o caso aqui.

Mãos à obra

Para demonstrar o processo de refinamento, fiz o que penso em fazer toda vez que pinta um monstrão como esse na minha frente: redesenhar.

O primeiro passo foi decidir qual caminho gráfico tomar. Segui o estilo da letra S, a mais bem resolvida do grupo cuja característica principal é a terminação de pincel pontiaguda. Em letterings como esse, é comum a letra S maiúscula inicial ter o contraste invertido (partes que deveriam ser finas passam a ser grossas e vice versa) — o objetivo é o de marcar bem o início e gerar interesse.

Essa característica faz com que a letra S possa ser usada como ícone e avatar em aplicações que requerem a redução de elementos.

Com a maiúscula definida, as demais letras foram construídas considerando o desenho original — espacejamento e sua largura total em conjunto com os pontos de melhora identificados no diagnóstico inicial. Apesar de todo feito digitalmente — fui desenhando as letras usando o logotipo original em uma camada abaixo como máscara — em diversos momentos desenhei no papel com um pincel para eliminar possíveis dúvidas de onde vão os contrastes e orientação das partes pontiagudas. A letra m sofreu bastante alteração da 1ª versão para a última.

A cada nova letra, revisei as anteriores, tomando decisões e ajustando de acordo. Descartei as terminações arredondadas em prol de pontiagudas, ajustei os pesos e contraste.

No final, desci um pouco a letra S para equilibrá-la melhor com o “uperbom”

O resultado final

Procurei redesenhar este logotipo o mais rápido possível — o trabalho foi feito apenas para fins de demonstração.

É possível refinar mais — a relação do bo pode melhorar, a construção e terminação do m requer mais atenção, por exemplo.

A comparação entre original e resultado não deixa dúvidas: mais conhecimento, atenção e dedicação às curvas pode mudar um logotipo da água para o vinho. Ou da água para o Suco natural nesse caso.


Próximos Workshops da Plau. Vagas limitadas, corre lá!

Para aprender mais:


Rodrigo Saiani é type designer, fundador e diretor de criação da Plau, estúdio de identidade tipográfica que trabalha na interseção entre branding, tipografia e empreendedorismo.

As fontes da Plau podem ser licenciadas direto no site ou pelos distribuidores MyFonts, Fontspring e YouWorkForThem

Post publicado originalmente no Blog da Plau

Siga a Plau por aqui:
Plau.co · Myfonts.com · Facebook · Instagram · Twitter

PlauDesign

Typography. Your brand voice loud and clear. Tipografia. A voz tipográfica da sua marca em alto e bom som.

)

Plau Type & Design

Written by

Typographic identity studio — making type as popular as music is what we're all about.

PlauDesign

Typography. Your brand voice loud and clear. Tipografia. A voz tipográfica da sua marca em alto e bom som.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade